CIDADES
Sábado, 07 de Dezembro de 2013, 12h:23
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SAÚDE
A depressão que mata
Casos de suicídio nos últimos meses chamam a atenção para uma doença grave e que deve receber o tratamento adequado
JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Notícias de suicídios recentes ocorridos em Cuiabá chamam a atenção para uma doença silenciosa e grave que atinge milhões de pessoas no Brasil. Considerada um dos males da vida moderna, a depressão tem levado cada vez mais às pessoas aos consultórios em busca de apoio psicológico. Esse aumento de pacientes em busca de tratamento e, consequentemente, diagnosticados com a doença, vem sendo percebido por psiquiatras. A gente percebe uma maior incidência a partir dos 30 anos, mas há casos em adolescentes, jovens e em idosos, comenta o psiquiatra Alberto Carvalho de Almeida. Segundo ele, são vários os fatores que podem levar à depressão. O estresse no trabalho pode ser um de seus causadores, uma vez que a correria, o excesso de cobrança, o acúmulo de tarefas podem favorecer o aparecimento de algumas doenças, entre elas a depressão. No caso dos idosos, por exemplo, o psiquiatra observa que geralmente a pessoa não se preparou para a chamada terceira idade, além da falta de estrutura familiar ou a presença de doenças que limitam a vida. Farmacêutica de uma grande rede de drogarias da capital, Silva Sato também reconhece que a procura por medicamentos antidepressivos têm crescido. Tem aumentado sim. Mas são remédios controlados, somente vendidos com a prescrição médica e com a retenção da receita, comenta. Ela observa, entretanto, que não dá para saber se o medicamento é para o tratamento da doença, já que alguns produtos também são indicados para o controle da ansiedade, inclusive para pessoas que desejam perder peso. Em maio deste ano, a Organização Mundial da Saúde fez um alerta mostrando que doenças mentais e neurológicas atingem cerca de 700 milhões de pessoas no mundo. E que 350 milhões deverão ter depressão. O mais preocupante é que pelo menos um terço dos que sofrem com problemas mentais e neurológicos não tem acompanhamento médico, o que torna o quadro ainda mais assustador, levando-se em conta que a doença aumenta o risco de problemas cardiovasculares e que, nos casos mais graves, alguns deprimidos tentam o suicídio. Para chegar neste ponto, conforme Alberto Carvalho, é porque a pessoa não busca o tratamento ou quando o faz não segue corretamente as orientações médicas. Não busca o tratamento e se busca a pessoa não se abre para o médico e costuma minimizar os sintomas, comenta. Em geral, ela não faz o tratamento direito e começa a sofrer até que chega ao ponto de se suicidar, comenta. Por isso, ele alerta que todos os pensamentos e os comportamentos suicidas, quer se tratem de gestos ou de tentativas, devem ser levados a sério pela família do paciente. Apenas nos últimos quatro meses, quatro suicídios foram registrados pela policia na capital e em Chapada dos Guimarães. Em todos, havia históricos de depressão.