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Cuiabá MT, Segunda-feira, 22 de Junho de 2026

CIDADES
Sábado, 16 de Junho de 2012, 13h:55

LICITAÇÃO DO VLT

A conta que não fecha

Recurso contra consórcio vencedor do processo aponta três cálculos errados, que geraram uma diferença de R$ 341 mi

RODRIGO VARGAS
Da Reportagem
A linha Aeroporto-CPA do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) terá 15 quilômetros de extensão. Para efetuar diversas melhorias nas avenidas do trecho, o consórcio VLT Cuiabá, vencedor da licitação, estimou em R$ 273,67 o preço por metro de obra. Um custo final, portanto, de R$ 4,1 milhões. Na planilha entregue à comissão de licitação da Secretaria Extraordinária da Copa do Mundo FIFA 2014 (Secopa), porém, o resultado deste cálculo é um preço final 2.400% maior: R$ 102.865.711,25. Considerando o custo por metro, o total proposto pelo consórcio vencedor (liderado pelas empresas C.R. Almeida S/A, Santa Bárbara Construções e CAF Brasil) seria suficiente “melhorar” 375 quilômetros – o equivalente à distância entre Cuiabá e Lucas do Rio Verde. Para a implantação de trilhos e catenária (a linha de alimentação elétrica das composições do VLT) nos 22,5 quilômetros previstos, o orçamento apresentado foi de R$ 5 milhões por quilômetro, ou um total de R$ 111.124.320,89. Na planilha vencedora, o resultado desta operação matemática é bem diferente: R$ 285.552.474,52, valor capaz de bancar, segundo o valor unitário, 37 quilômetros de trilhos e catenária a mais do que o necessário. O detalhamento destes e de outros dois cálculos supostamente errados consta do recurso encaminhado à Secopa pelo consórcio formado pelas empreiteiras Mendes Júnior, Alstom e Soares da Costa, segundo colocado na licitação. O julgamento deverá ser divulgado nesta segunda-feira. Segundo o documento, ao qual o Diário teve acesso, o valor final da proposta vencedora (levando em conta os preços unitários estimados pelo consórcio VLT Cuiabá) deveria ser de R$ 1,13 bilhão – R$ 341,6 milhões a menos do que o efetivamente proposto. Tal valor se encaixaria na estimativa inicial do governo do Estado, que já assegurou um empréstimo de R$ 423 milhões e ainda negocia com o BNDES um segundo contrato de financiamento que deverá somar R$ 727,9 milhões – um total de R$ 1,15 bilhão. “Verifica-se uma sequência de erros de cálculo que terminam por revelar grande discrepância entre o valor real da proposta e o declarado como mais bem classificado pela Comissão”, diz o consórcio, em trecho do recurso. Logo após a abertura das propostas, e da percepção de que o menor valor havia ficado muito acima da estimativa, o governo imediatamente anunciou que abriria uma negociação com a eventual vencedora para tentar “baixar os valores”. Também não foi descartada a possibilidade de um terceiro empréstimo. “Se houver a necessidade, o governo vai se reunir com a equipe econômica do Estado para verificar a melhor forma da complementação”, disse à ocasião o secretário José Lacerda (Casa Civil).

Edição EDIÇÃO 16967




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