CIDADES
Segunda-feira, 11 de Maio de 2009, 21h:20
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OPERAÇÃO CUPIM
4 são presos acusados de desmatamento
Casal dono de transportadora em Sinop é apontado como chefe do esquema que aliciava fiscais para liberação de cargas de madeira ilegal
Quatro pessoas foram presas em Mato Grosso acusadas de liderar um esquema de exploração, transporte ilegal de madeira da floresta Amazônica e sonegação fiscal do produto, que seguia para São Paulo e Paraná. Um quinto integrante do bando estava foragido até a noite de ontem. Em Mato Grosso do Sul foram cumpridos outros nove mandados de prisão, sendo sete contra fiscais de tributos do estado que, conforme as investigações, participavam da organização criminosa, possibilitando o trânsito das cargas. Além da devastação, o maior prejuízo das ações do bando é para o Estado de Mato Grosso, que deixou de recolher uma grande quantia em ICMS. No Mato Grosso do Sul, a irregularidade é que os fiscais deixavam de multar as cargas ilegais, aponta o promotor de Justiça Marcelo Moraes, do Mato Grosso do Sul. Ele enviará as denúncias para o Ministério Público Estadual (MPE) de Mato Grosso para prosseguimento das investigações. A Operação Cupim, deflagrada ontem pela manhã pela Polícia Rodoviária Federal e pelo Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do estado vizinho apontou que a retirada ilegal de madeira acontecia na região de Marcelândia e Sinop. A Polícia Federal colaborou com a ação. Após seis meses de investigações, estima-se que a quadrilha tenha movimentado ao menos R$ 10 milhões. No total, 650 caminhões utilizaram o esquema, com mais de 32 mil metros cúbicos de madeira retiradas da floresta. Os principais mentores da ação criminosa eram Júlio Alberto Pereira Pinto e a esposa, Karine Zanotto, proprietários de uma transportadora em Sinop. No início de 2009, denúncias contra um dos fiscais do Mato Grosso do Sul revelaram que o empresário utilizava uma nota fiscal para várias cargas diferentes e que sempre o carregamento era acima do declarado. Em abril deste ano a PRF flagrou três caminhões dele com a mesma nota. Durante as apurações descobriu-se que madeiras nobres, como castanheira e peroba, eram carregadas escondidas entre outras espécies com baixo valor comercial. Entre os presos está também o irmão de Júlio, Cláudio Pereira Pinto. Além do trio, a polícia prendeu em Marcelândia Hélio Della Vedova, dono de uma madeireira. O filho dele, Hélio Pires Araújo, foi detido por porte ilegal de arma, mas para ele não havia mandado de prisão pela Operação Cupim, segundo o promotor Marcelo Moraes. Até o início da noite de ontem a polícia em Mato Grosso estava à procura de Cláudio Golizesc. Os envolvidos no esquema tiveram cinco carretas bitrem e dois carros seqüestrados judicialmente. Todos foram levados para Campo Grande (MS) e seriam ouvidos pelo Gaeco. Levantamentos apontam que o grupo agia desde abril de 2008 e é acusado de formação de quadrilha, desmatamento ilegal, falsificação de documentos, sonegação fiscal, corrupção e lavagem de dinheiro.