CIDADES
Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009, 21h:10
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CVV
3,5 mil procuram ajuda de voluntários
Serviço que foca a prevenção de suicídios atende pessoas de diferentes perfis, que desabafam angústias sob a proteção do sigilo do outro lado da linha
ALECY ALVES
Da Reportagem
Em 2008, quase 3,5 mil pessoas recorreram ao serviço do Centro de Valorização da Vida, o CVV, em Cuiabá. Como preconiza a doutrina do programa, os usuários puderam desabafar problemas e angústias pessoais a voluntários sem o risco de serem julgados ou ouvir conselhos e receitas de saídas infalíveis, como aquelas habitualmente oferecidas por parentes e amigos. Tudo isso com a certeza de sigilo absoluto. Por telefone ou na sede da entidade, o CVV faz uma média de 300 atendimentos ao mês. São homens e mulheres de diferentes faixas etárias, credos, profissões e classe social em busca de ajuda emocional. Quem procura o CVV não desembolsa qualquer quantia e pode dispor do serviço quantas vezes considerar necessário. A engenheira Isaura Triton, voluntária e membro da coordenação da entidade, explica que o objetivo central é a prevenção do suicídio e a valorização da vida. Muitos telefonam ou procuram o CVV pessoalmente quando estão em seu limite emocional, já tentaram ou pensam em suicídio, sofrem de depressão ou estão com problemas familiares ou profissionais, conta Isaura. A voluntária diz que os pedidos de ajuda acontecem durante o ano inteiro, com mais freqüência nas festas de final de ano Natal e Ano Novo. Entretanto, ela não acredita que a procura esteja relacionada a essas datas comemorativas, período em que muitos fazem o conhecido balanço da vida pessoal, e sim ao aumento da divulgação do serviço do Centro de Valorização da Vida na mídia. Instalado em Cuiabá há quase 18 anos, o CVV conta com 54 voluntários e atende ininterruptamente. Com plantões dia e noite, sábado, domingos e feriados, do outro lado da linha sempre haverá alguém do CVV disposto a ouvir. Somente o atendimento pessoal funciona exclusivamente durante o dia, das 8 às 18h, inclusive nos finais de semana. Cada voluntário faz pelo menos um plantão por semana, com duração de quatro horas e meia. São pessoas como Isaura, que há três anos, depois de passar por uma capacitação específica, começou a servir à comunidade por meio do CVV. A professora e economista aposentada Diana Farias Mendes, de 64 anos, é uma das voluntárias mais antigas do CVV na Capital mato-grossense, com 11 anos de serviço voluntário. Saímos de casa para atender outras pessoas e percebemos que somos altamente beneficiadas e que nossos próprios problemas são minimizados, destaca Diana. A professora Claudia Ribeiro, 38 anos, voluntária há 4, teve o marido, também professor, como exemplo. No CVV há 10 anos, Antônio Carlos Ribeiro acabou convencendo a mulher a ingressar no centro. Cláudia achava que não tinha perfil para esse trabalho, mas a partir do momento que começou a fazer o curso, percebeu a importância e o quanto poderia ser útil. CURSO - Em março, a partir do dia 18, o CVV começa a formação de novas turmas de voluntários através do Programa de Seleção de Voluntários (PSV). O curso, oferecido gratuitamente, será ministrado uma vez na semana, no período noturno, por 13 quartas-feiras consecutivas. O CVV é mantido pela Fraternidade de Apóio à Vida (FAV), uma entidade que vive de doações dos próprios voluntários. Os gastos de aluguel, telefone, água, luz e outros fazem com que a FAV precise de ajuda sempre. As contribuições podem ser depositadas no Banco Itaú, agência 1433 conta 18573-1. Já os telefones de atendimento do CVV são: 141 e (65) 3321-4117, em Cuiabá.