CIDADES
Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009, 21h:17
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LEISHMANIOSE TEGUMENTAR
2,5 mil casos registrados no Estado
ALECY ALVES
Da Reportagem
O Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde, já confirmou somente em janeiro 38 novas notificações de leishmaniose tegumentar em Mato Grosso. A doença se manifesta nas formas cutânea e mucocutânea (pele e mucosas) e foi diagnosticada em 2.581 pessoas do Estado no decorrer de 2008. Talvez pelo fato de não registrar casos letais, raramente se vê campanhas de alerta quanto ao tipo tegumentar, ao contrário da leishmaniose visceral, também conhecida por Calazar, que ataca órgãos internos como fígado, pulmões e rins e pode levar à morte. De acordo com a técnica Valéria Cristina da Silva, assistente da Coordenação de Controle das Leishmanioses da Secretaria Estadual de Saúde (SES), não há registros oficiais da forma tegumentar em áreas urbanas. Todas as notificações são de pessoas que moram, trabalham ou passaram longa temporada em propriedades rurais. Transmitida por roedores silvestres, ela aparece na pele, nariz ou boca como lesão bem definida, arredondada, com bordas em relevo e granulados no centro. Uma pessoa acometida pela doença pode manifestar várias feridas ou uma única, grande, como é mais comum. Em muitos casos, quando atinge a mucosa do nariz, por exemplo, explica Valéria Cristina, a leishmaniose tegumentar pode levar à perfuração e perda do septo nasal, se o tratamento for iniciado tardiamente ou o paciente não seguir as determinações médicas. Em Mato Grosso, segundo a técnica da SES, há maior incidência da leishmaniose tegumentar em municípios da região Norte, como Juína e Colniza. O diagnóstico é feito principalmente por teste parasitológico direto na lesão. Se o resultado for positivo, o portador começa um tratamento que pode ter duração de apenas 20 dias. Entretanto, como os medicamentos apresentam efeitos colaterais, especialmente dores fortes nas articulações de braços e pernas, uma significativa parcela de pacientes interrompe o uso dos remédios por conta própria. Quando isso acontece, diz a técnica, as lesões crescem e a cura torna-se mais demorada. No caso da leishmaniose mucocutânea, Valéria Cristina observa que uma boa parcela dos portadores chega ao serviço médico quando já apresenta perfuração no septo nasal irreversível. Isso ocorre, conforme aponta a especialista, principalmente pela falta de informações sobre a doença. A médica veterinária Patrícia Lazari, da Vigilância Ambiental da SES, destaca que a saúde pública vem trabalhando no sentido de fazer o diagnóstico o mais precoce possível e zelar pelo tratamento contínuo da leishmaniose. Para certificar que a doença mantém sua origem na zona rural, diz a veterinária, há um serviço de investigação que permite acompanhar a procedência de cada caso. Ela conclui lembrando que o tratamento como os remédios estão disponíveis na rede de saúde pública, sem qualquer custo ao paciente.