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Cuiabá MT, Sábado, 13 de Junho de 2026

CIDADES
Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2013, 21h:18

ESCRAVIDÃO URBANA

240 trabalhadores resgatados em 5 anos

Nas cidades, patrões não cumprem a legislação e acabam infringindo a lei, principalmente no setor de construção civil

ALECY ALVES
Da Reportagem
Engana-se quem pensa que em Mato Grosso a libertação de trabalhadores explorados em condições análogas à escravidão está restrita as propriedades rurais. Em circunstâncias tão graves quanto as do campo, onde os crimes ocorrem principalmente em áreas de pastagens, plantações agrícolas, florestas, madeireiras e canaviais, são encontrados os operários urbanos. Os auditores-fiscais do Trabalho e os procuradores do Ministério Público Trabalho (MPT) também precisam do auxílio de forças policiais para ingressar nas empresas em alguns casos. Nos últimos cinco anos, no período de 2008 a 2012, 240 trabalhadores foram retirados de dentro de empresas sediadas em áreas urbanas, de acordo com dados apurados pela reportagem junto às planilhas de resgates do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Os resgates aconteceram em nove cidades, entre as quais estão a capital, Cuiabá, e a segunda maior, Várzea Grande. Também integram a listas Lucas do Rio Verde, Sorriso, Tapurah, Sapezal, Nova Olímpia e Nortelândia e Cotriguaçu. Em algumas dessas cidades, a fiscalização trabalhista registrou outras ocorrências análogas à escravidão, sem resgate de trabalhadores. Em outros municípios, também sem libertação de funcionários, houve atuação de empresários por prática de trabalho degradante, que Código Penal qualifica como crime (artigo 149), sujeito a pena de dois a oito anos de prisão. O setor da construção aparece em primeiro lugar nessa estatística. Em Cuiabá, por exemplo, 28 trabalhadores foram resgatados de um banco que passava por obras de ampliação e reforma. O local onde trabalhavam servia ainda de alojamento, sem cama, banheiro e água. Já em Várzea Grande, em uma boate, fiscais e policiais libertaram 24 pessoas, sendo 22 mulheres e dois homens, que se prostituíam sob regime de escravidão. Não recebiam salário e adquiriam produtos de consumo próprio, incluindo alimentos, superfaturados. E para sair para um passeio tinham de pagar uma taxa. Entretanto, foi a cidade de Sapezal(480 quilômetros de Cuiabá) que registrou o maior número de resgate em uma única operação. Em uma construção, havia 78 operários em condições danosas, sem alojamento, sem carteira assinada, com salários atrasos e presos às dívidas com o patrão. Desses, conforme dados da fiscalização, cinco sequer tinham carteira de trabalho. A auditora fiscal Giselle Sakamoto Vianna, coordenadora de fiscalização rural e trabalho escravo na Superintendência do Trabalho e Emprego em Mato Grosso(MTE), diz que no imaginário da sociedade não aparece o fenômeno do trabalho escravo urbano. Isso acontece, avalia ela, porque essa questão é muito forte na zona rural. Entretanto, alerta Giselle, nas cidades os elementos que caracterizam o crime são os mesmos (ambiente degradante, falta de salários, retenção de documentos, entre outros). A reportagem tentou fazer contato o presidente do Sindicato da Construção Civil (Sinduscom), mas até o fechamento desta edição o celular estava foram de área.

Edição EDIÇÃO 16962




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