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BRASIL
Sexta-feira, 08 de Outubro de 2004, 21h:02

SEGURANÇA/RIO

Vigário Geral é ocupada por 120 policiais

MÁRIO HUGO MONKEN
Folhapress – Rio
Um dia após a Anistia Internacional divulgar um manifesto alertando que poderia haver um banho de sangue na favela Vigário Geral (zona norte do Rio) caso a polícia não agisse, a comunidade foi ocupada ontem por cerca de 120 policiais do Bope (Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar) - tropa de elite da corporação - por determinação da Secretaria Estadual de Segurança Pública. A presença da polícia dentro da favela, que foi invadida no sábado por traficantes da vizinha comunidade de Parada de Lucas, não diminuiu a sensação de medo e insegurança. Vários moradores, que haviam sido expulsos no final de semana passado, voltaram para buscar seus pertences e abandonaram definitivamente a favela. Durante a ocupação, houve troca de tiros. Os traficantes atiraram uma granada contra os policiais e um deles acabou ferido na mão por estilhaços. Um suspeito foi baleado e outros sete foram presos. Sete granadas e dois fuzis, além de carregadores, munições e drogas foram apreendidos na ação. Vigário Geral, cujo tráfico era dominado pela facção criminosa CV (Comando Vermelho), foi invadida na tarde de sábado por traficantes de Parada de Lucas, ligados ao grupo rival TCP (Terceiro Comando Puro). A guerra já provocou a morte de, pelo menos, três pessoas. De acordo com moradores, devido à invasão, a comunidade passou a ser chamada agora de “Parada Geral" (junção dos nomes das duas favelas vizinhas). A PM (Polícia Militar) suspeita que os traficantes expulsos tentem invadir a favela para retomar o controle dos pontos-de-vendas de drogas. Segundo a corporação, eles estariam refugiados na favela do Dique (Jardim América, zona norte) e contariam com o apoio de cúmplices de outras comunidades dominadas pelo CV. ACUSAÇÃO Moradores disseram que policiais militares do 16º Batalhão (Olaria, zona norte do Rio) teriam ajudado os traficantes de Parada de Lucas a invadir Vigário Geral. Segundo eles, os PMs teriam recebido cerca de R$ 100 mil dos criminosos. O comandante da unidade, tenente-coronel Celso Nogueira, nega a acusação. O clima na favela permaneceu tenso por todo o dia. Moradores entravam e saíam da comunidade carregando seus pertences. No início da tarde, traficantes efetuaram vários disparos, o que provocou pânico e correria entre as pessoas. Os traficantes de Parada de Lucas montaram barricadas na avenida Brasil para impedir a entrada da polícia. A avenida chegou a ficar fechada por cerca de dez minutos até que a polícia retirasse as barreiras. Dentro da favela, os traficantes colaram vários cartazes oferecendo recompensas de R$ 1.000 a R$ 5.000 a quem entregar fuzis e pistolas que pertenciam a quadrilha que dominava a comunidade antes da invasão. O secretário estadual de Segurança Pública em exercício, Marcelo Itagiba, esteve em Vigário Geral e disse que a ocupação só acabará depois que a polícia prender todos os traficantes que invadiram a favela. Além de Vigário Geral, foram ocupadas também Parada de Lucas, Furquim Mendes e Dique.

Edição EDIÇÃO 16960




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