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BRASIL
Sábado, 22 de Agosto de 2009, 23h:57

MEDICINA

Uma nova pesquisa associa apneia à origem genética

ALEXANDRE GONÇALVES
Da Agência Estado - São Paulo
Descendentes de europeus têm mais chance de sofrer apneia, distúrbio respiratório que ocorre durante o sono, normalmente associado ao ronco. É o que mostra uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) com 1.010 pessoas que realizaram o exame de polissonografia durante uma noite inteira no Instituto do Sono. Para obter dados confiáveis, os pesquisadores utilizaram análise genética para determinar a ancestralidade (europeia, africana ou indígena) de cada participante do experimento, método mais objetivo do que a autodeclaração de etnia no cadastro de inscrição. Os cientistas usaram 31 marcadores informativos de ancestralidade genética - pedaços do genoma que identificam com boa precisão características associadas a etnias particulares. Como há uma grande miscigenação no País, um programa de computador determinou, com base nos marcadores, a proporção das três categorias de ancestralidade para cada indivíduo estudado. Uma pessoa poderia, por exemplo, apresentar 70% de ancestralidade europeia, 20% de africana e 10% de indígena. "Foi o primeiro estudo epidemiológico brasileiro que analisou a associação entre ancestralidade genética e uma doença", aponta Camila Guindalini, principal autora do artigo, que será apresentado em novembro no Congresso Internacional da Associação de Medicina do Sono. No grupo de pessoas que sofriam de apneia, a ancestralidade europeia média foi de 78,2%. Nos indivíduos sem o distúrbio, caiu para 73,5%. A ancestralidade africana apareceu como um fator protetor. O porcentual médio era significativamente maior nas pessoas sem a doença: 20,1%, em comparação com os 16,1% das pessoas que sofriam de apneia. Os pesquisadores usaram métodos estatísticos para eliminar a interferência de outras variáveis associadas à doença, como sexo - o distúrbio é mais comum em homens - e obesidade. Cerca de 33% dos participantes no estudo tinham apneia. Algumas pessoas precisam de menos horas de sono para ficar bem. Foi o que mostrou um estudo publicado recentemente na revista especializada Science.

Edição EDIÇÃO 16961




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