BRASIL
Segunda-feira, 02 de Fevereiro de 2009, 20h:20
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Traições de última hora decepcionam candidatos
A traição que era a esperança dos candidatos azarões não aconteceu. Resultado: o senador Tião Viana (PT-AC) e os deputados Ciro Nogueira (PP-PI) e Aldo Rebelo (PCdoB-SP) lamentaram promessas não cumpridas de apoio e traições de última hora entre os próprios correligionários. Apesar de apoiarem publicamente a candidatura de Tião à presidência do Senado, saíram do PT, PR, PSB, PCdoB e PRB parte dos votos que ajudaram a eleger o senador José Sarney (PMDB-AP). Pela contagem de senadores, a "traição" teria sido cometida por pelo menos 9 dos 21 votos do grupo. Tião recebeu 32 votos contra 49 de Sarney. Tião ficou igualmente sem o apoio que esperava de 2 senadores do PTB, de 2 DEM e de 4 senadores do PMDB. Do PSDB, a avaliação é que apenas o senador Papaléo Paes (PSDB-AP) votou em Sarney, como havia anunciado anteriormente. Os que eram dados como possíveis "traidores", em troca de cargos na Mesa, para sair da lista de suspeitos, chegaram a mostrar a colegas a cédula com o nome do petista. Tião Viana não quis comentar o placar contrário às suas expectativas de presidir o Senado nos próximos dois anos. "Só tenho a agradecer os votos de consciência que recebi", alegou. "Foram votos leais, solidários e espontâneos, não me cabe ter ressentimentos nem querer achar culpados". O senador disse que continuará exercendo o mandato "com o mesmo entusiasmo e honra de sempre". Após a votação, ele foi almoçar com a família e à tarde, ficou em seu gabinete, recebendo telefonemas de solidariedade. CÂMARA Apoiado por 14 partidos, que somavam 423 deputados, Michel Temer recebeu menos votos do que seus aliados contabilizavam. "Realmente houve uma defecção 10% maior do que esperávamos", admitiu o deputado Eliseu Padilha (PMDB-RS), um dos coordenadores da campanha do peemedebista. A equipe de Temer estava certa de que o candidato teria 340 votos. O peemedebista, porém, recebeu 304 votos. Padilha descartou punição para os dissidentes. Do lado adversário, houve muita decepção. Os aliados de Rebelo contavam que o candidato teria, pelo menos, 130 votos, quase o dobro do que obteve, e que a disputa seria transferida para o segundo turno. "No último dia houve uma presença muito forte dos presidentes e dos líderes dos partidos (que apoiaram Temer), ameaçando os deputados de fazerem intervenção nos diretórios de seus Estados", disse o deputado Sílvio Costa (PMN-PE), um dos coordenadores da campanha de Rebelo. "O ingrediente novo nessa eleição foi a fidelidade partidária", resumiu.