BRASIL
Quarta-feira, 06 de Junho de 2007, 20h:03
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XEQUE-MATE
Todos os 79 presos são ouvidos pela PF
Empresário compadre de Lula afirma à Federal que "conhece, mas não tem relação de amizade" com Genival Inácio da Silva, o Vavá
JAMIL CHADE, FAUSTO MACEDO e DENISE CHRISPIM
Da Agência Estado - Campo Grande
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva evitou como pôde a imprensa ontem, em Berlim, e até deixou um grupo de executivos da Mercedes-Benz à sua espera. O empresário Dario Morelli Filho declarou à Polícia Federal que "conhece, mas não tem relação de amizade" com Genival Inácio da Silva, o Vavá, irmão mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Ele é irmão do presidente que é meu compadre, mas não temos amizade", disse Morelli. DEPOIMENTOS Todos os 79 presos durante a Operação Xeque-Mate foram ouvidos ontem pela Polícia Federal (PF) O ex-deputado estadual Nilson Cézar Servo (PR) foi o último a depor. De acordo com o advogado de Servo, Omar Rasslan, todas as perguntas feitas foram respondidas, prontamente, por ele. No fim da tarde, os delegados da operação receberam cópia da liminar expedida pelo Tribunal Regional Federal (TRF), com sede em São Paulo, liberando o acesso aos autos dos processos abertos contra os clientes. São 40 CDs contendo todos os depoimentos. As investigações duraram seis meses, gerando 166 mi ligações - 5.600 consideradas importantes. TÁTICA A Xeque-Mate, que incluiu Genival Inácio da Silva, o "Vavá" - irmão mais velho do presidente Lula -, em suposto esquema de contrabando, corrupção e exploração de jogos de azar, foi deflagrada com base em grampos telefônicos que identificaram como primeiro alvo o ex-deputado Nilton Cezar Servo. Durante meses, os federais, baseados em Campo Grande (MS) monitoraram Servo e seus parceiros - advogados, empresários, políticos. A interceptação pegou contatos de Dario Morelli Filho, apontado como integrante da máfia dos caça-níqueis, com Genival Inácio da Silva, o Vavá. Na segunda-feira de manhã, uma equipe de policiais munidos de ordem judicial vasculhou a casa de Vavá, em São Bernardo do Campo (SP). Os agentes apreenderam documentos e puseram em prática uma estratégia da investigação - ligaram um gravador para que o irmão do presidente ouvisse suas conversas telefônicas que foram captadas pelo grampo. Em seguida, tomaram o depoimento de Vavá. A PF fez isso com os 79 presos da Xeque-Mate. LULA EVITA O presidente Luiz Inácio Lula da Silva evitou como pôde a imprensa ontem, em Berlim, e até deixou um grupo de executivos da Mercedes-Benz à sua espera. Lula vem sendo questionado pelos jornalistas sobre o envolvimento de seu irmão mais velho, Genival Inácio da Silva. Durante toda a manhã de ontem, Lula adotou a tática de não sair do prédio da embaixada. Seguranças se preparavam para acompanhá-lo em uma caminhada, quando, minutos depois, foram avisados de que não sairiam. O assessor da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, chamou de "mentirosas" as fontes do governo que disseram à imprensa em Nova Délhi, por onde a comitiva passou, que o presidente se irritara ao tomar conhecimento da operação de busca e apreensão da Polícia Federal na casa de Vavá, em São Bernardo do Campo (SP). "Fomos surpreendidos com uma irritação que nunca existiu", comentou. "Ele estava hoje assim como ontem e na segunda-feira. Não houve irritação nem cutânea", declarou. COMPADRE NEGA O empresário Dario Morelli Filho, que a Xeque-Mate enquadrou em quatro crimes - formação de quadrilha, falsidade ideológica, contrabando e sonegação -, declarou à Polícia Federal que "conhece, mas não tem relação de amizade" com Genival Inácio da Silva, o Vavá, irmão mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Ele é irmão do presidente que é meu compadre, mas não temos amizade", disse Morelli. Sobre suas relações com o ex-deputado Nilton Servo, que a PF acusa de comandar organização que explora jogos de azar em seis Estados, Morelli afirmou: "Temos relacionamento de amizade." Morelli foi preso segunda-feira em São Bernardo do Campo, onde mora. A PF levou o empresário e documentos que considerou importantes para instruir o inquérito. Os policiais descobriram que ele é proprietário de uma empresa que aluga automóveis para políticos em campanhas eleitorais.