BRASIL
Segunda-feira, 11 de Outubro de 2010, 18h:54
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RIO
Tiroteio em Madureira leva ao fechamento de comércio
MARCELO AULER e KELLY LIMA
Da Agência Estado Rio
A disputa por pontos de vendas de drogas, que há quatro dias mantém sob intenso tiroteio as comunidades de três favelas de Madureira, na zona norte do Rio, levou ao fechamento, ontem, do restaurante popular, que vende refeições a R$ 1,00 e está localizado na principal rua do bairro. Um cartaz, colado à porta do restaurante, anunciava o fechamento "por motivos de força maior". Ninguém oficialmente confirmou a informação de que a interdição tenha sido causada pela ocupação do Morro São José da Pedra, localizado atrás do quarteirão do restaurante. Mas, desde sexta-feira, traficantes do Complexo do Alemão (em Olaria, também na zona norte) invadiram a localidade e tentam ocupar territórios também nos vizinhos Morro da Serrinha e favela da Patolinha, dominados por uma facção rival. Na região vivem cerca de 25 mil pessoas. Alguns moradores acusaram a polícia de evitar incursões nessas favelas, que não ainda não fazem parte do programa de ocupação policial, desenvolvido pelo governo do Estado. "Se fosse na Zona Sul, a polícia já teria agido. Mas aqui em Madureira, nada aconteceu", disse hoje o diretor de uma das associações de bairro da região, que preferiu não se identificar. Ontem, no fim da tarde, um novo tiroteio teve início no morro São José da Pedra. Segundo informaram alguns moradores da Serrinha, os traficantes trocaram tiros com policiais militares que estavam na ruas que dão acesso ao morro. Ontem, véspera de feriado, o comandante do 41º Batalhão da Polícia Militar (Inhaúma) não esteve na corporação, nem a titular da 29ª Delegacia Policial (Madureira). JUIZ O juiz Marcelo Alexandrino, baleado por policiais civis durante uma blitz no último dia 2, deixou ontem o hospital após nove dias internado. Ele afirmou que deverá entrar com medida judicial contra a polícia. "Claro que vamos estudar esta medida", afirmou ao deixar o hospital. Ele ressalvou, no entanto, que sua prioridade no momento é a recuperação do filho e da enteada, também baleados, que permanecem internados. O menino, de 11 anos, teve perfuração nos dois pulmões e a menina, de 8 anos, foi atingida por uma bala que atravessou estômago, fígado e pulmão. Ambos não correm risco de morte.