BRASIL
Quinta-feira, 14 de Janeiro de 2010, 02h:59
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LUTO
Terremoto mata 12 brasileiros no Haiti
Cerca de 150 pessoas participaram ontem da missa realizada na Catedral da Sé, no Centro de São Paulo, em homenagem à Zilda Arns e aos militares
PEDRO VENCESLAU e DENISE CHRISPIM MARIN
Da agência Estado São Paulo
A médica Zilda Arns, fundadora da pastoral da Criança, e mais 11 militares brasileiros morreram no terremoto da terça-feira no Haiti. Nove oficiais do Exército ficaram feridos e sete estão desaparecidos. O corpo da fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança, Zilda Arns, foi encontrado ontem de manhã pela embaixatriz do Brasil em Porto Príncipe, Roseana Teresa Aben-Athar Kipman. O senador Flávio Arns (PSDB-PR), sobrinho de Zilda, embarcou no final da manhã de ontem para o Haiti junto com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e o embaixador do Brasil naquele país, Igor Kipman, em avião da Força Aérea Brasileira (FAB). Irmã do cardeal-arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, Zilda estava no Haiti como parte de uma série de visitas a países da região e teria morrido após escombros caírem sobre ela enquanto caminhava na rua. Ao saber na noticia, Dom Paulo Evaristo rezou a missa pelas vítimas do Haiti e afirmou que "ela morreu de uma maneira muito bonita, morreu na causa que sempre acreditou." Médica pediatra e sanitarista, de 75 anos, Zilda foi fundadora da Pastoral Da Criança e da Pastoral da Pessoa Idosa. Presente em todos os estados do Brasil e em mais 20 países, a Pastoral da Criança tem mais de 240 mil voluntários capacitados atuando em 40.853 mil comunidades em 4.016 municípios. Acompanha quase 95 mil gestantes e mais de 1, 6 milhão de crianças pobres menores de seis anos. MILITARES MORTOS Segundo o Exército, os militares estavam fora da base principal no momento do terremoto, segundo o Comando do Exército. Os militares estavam no país desde agosto de 2009. Os militares brasileiros que participam da Missão de Paz no Haiti atravessaram a madrugada de ontem, segundo o Ministério da Defesa, tentando resgatar companheiros soterrados em desabamentos de edificações e no auxílio à população local e às autoridades do País. Uma dessas instalações, denominada "Ponto Forte 22", um sobrado de três andares, desabou completamente. Um grupo de sete alunos e um professor da Unicamp que estavam no Haiti no momento do terremoto passa bem e se prepara para ajudar a população, segundo informações iniciais da assessoria da universidade. O grupo de seis alunos de graduação e uma aluna de mestrado, coordenados pelo professor Omar Ribeiro Thomaz, do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da Unicamp, estavam no país desde o 31 de dezembro para uma pesquisa de campo no Haiti. Eis a lista com os nomes dos militares mortos: 1º Tenente BRUNO RIBEIRO MÁRIO; 2º Sargento DAVI RAMOS DE LIMA; 2º Sargento LEONARDO DE CASTRO CARVALHO; Cabo DOUGLAS PEDROTTI NECKEL; Cabo WASHINGTON LUIS DE SOUZA SERAPHIN; Soldado TIAGO ANAYA DETIMERMANI; e Soldado ANTONIO JOSÉ ANACLETO, todos do 5º Batalhão de Infantaria Leve, sediado em Lorena/SP. Cabo ARÍ DIRCEU FERNANDES JÚNIOR e Soldado KLEBER DA SILVA SANTOS; ambos do 2º Batalhão de Infantaria Leve, sediado em Santos/SP. Subtenente RANIEL BATISTA DE CAMARGOS, do 37º Batalhão de Infantaria Leve, sediado em Lins/SP. Coronel EMILIO CARLOS TORRES DOS SANTOS, do Gabinete do Comandante do Exército, sediado em Brasília/DF, da Minustah. Além disso, encontram-se desaparecidos quatro militares que estavam no Quartel da Minustah (Hotel Cristopher) e mais três sob escombros não localizados no Ponto Forte 22 (Casa Azul), próximo ao bairro Cité Soleil. Há sete feridos em atendimento no Hospital Argentino da Minustah e dois outros militares foram retirados do país, seguindo para a República Dominicana. MISSA Cerca de 150 pessoas participaram no início da noite de ontem da missa realizada na Catedral da Sé, no Centro de São Paulo, em homenagem à Zilda Arns e aos militares brasileiros mortos no terremoto que atingiu o Haiti. A cerimônia, que começou por volta das 18 horas, foi organizada pela Pastoral da Criança e pelo padre Júlio Lancelotti. A maioria dos participantes é ligada à Pastoral da Criança e à Pastoral dos Idosos. Nenhuma autoridade compareceu à cerimônia, que foi marcada de última hora. O prefeito Gilberto Kassab e o governador José Serra não compareceram nem mandaram representantes.