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BRASIL
Segunda-feira, 17 de Agosto de 2009, 20h:52

Temer: saída seria inócua ao 'clima ruim'

EVANDRO FADEL e LEANDRO COLON
Da Agência Estado – Curitiba
O presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), disse ontem, em Curitiba, que uma possível saída do senador José Sarney (PMDB-AP) da presidência do Senado "nada acrescentaria" em relação às denúncias que têm sido levantadas. "Só vai criar um clima institucional ruim", ponderou. "Eu não creio que seja útil para o País." Ele esteve em Curitiba para um encontro com empresários, que lhe entregaram uma série de pedidos. Temer acrescentou que seus comentários sobre a crise no Senado eram em caráter de "observador" dos fatos. "O presidente José Sarney fez o possível para sanar eventuais irregularidades, tomou atitudes muito rápidas em relação às irregularidades e vem tomando medidas", afirmou. Em pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha, 74% das 4,1 mil pessoas ouvidas entre os dias 11 e 13 de agosto defenderam a saída de Sarney do cargo. "A opinião pública pesa nessas coisas", admitiu Temer. O presidente da Câmara disse ter visto com "tristeza cívica" a mesma pesquisa apontar que 44% dos entrevistados avaliam o Congresso Nacional como ruim ou péssimo. "O Legislativo é importante para o País e lá na Câmara dos Deputados estamos fazendo o possível", afirmou. Segundo ele, a interpretação dada pela Câmara de que as medidas provisórias não trancam pauta foi "revolucionária" e permite que as votações sigam normalmente naquela Casa. "Não se deve confundir o Legislativo com seus membros", disse o presidente da Câmara. "A preservação da instituição é importante." Segundo ele, as pesquisas são cíclicas e, mais à frente, podem demonstrar outra situação. De outro lado, acentuou não se "impressionar" com os números. "O Legislativo é um poder mais sujeito às observações populares", ponderou. "Agora, de vez em quando, é preciso dizer que a Câmara está fazendo, e está fazendo bastante." SIMON O senador Pedro Simon (PMDB-RS) subiu à tribuna ontem para pedir novamente a renúncia do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). O peemedebista aproveitou também para defender o jornal "O Estado de S. Paulo", atacado por Sarney em plenário nesta segunda. "O Estado de S. Paulo é um patrimônio do país", disse Simon. O senador repetiu que a permanência de Sarney na cadeira de presidente transforma o Senado num cenário imprevisível. "Se ele não renunciar, horas muito dramáticas vamos viver", disse. "Se alguém pensa que é só o Conselho de Ética arquivar as representações (contra Sarney) e tudo terminou, não terminou", ressaltou. "Essa Casa nunca foi santa", disse.

Edição EDIÇÃO 16960




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