O dermatologista do Hospital Regional da Asa Norte (Hran) em Brasília Eugênio Reis disse que a técnica de tratamento do vitiligo, apresentada pelo médico indiano Davinder Parsad durante encontro em Brasília, existe desde 1987, mas era muito cara e inviável para os médicos brasileiros. Entretanto, nos últimos cinco anos, com o avanço da biologia molecular e a substituição de certos reagentes, o tratamento tornou-se mais barato. O aprimoramento da técnica foi apresentado por Parsad durante o 14º Congresso Brasileiro de Cirurgia Dermatológica, promovido nesta semana pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD), que reuniu cerca de 2.500 médicos do Brasil e convidados estrangeiros. O encontro terminou ontem. O objetivo é divulgar os avanços de técnicas de tratamento e tornar os profissionais mais atualizados para cuidar dos pacientes, sobretudos aqueles que não respondem às técnicas clássicas. No procedimento tradicional, além do uso de pomadas e remédios, são retiradas partes da pele de área saudável do corpo e transplantadas para a área atingida pela doença. Entretanto, a técnica é agressiva, pode deixar cicatrizes e não garante bons resultados. Com o aprimoramento do transplante dos melanócitos, a área atingida fica com uma coloração mais uniforme e harmônica, depois de quatro a seis semanas. Sem contar que o procedimento é muito menos agressivo do que o tradicional, esclareceu. O vitiligo é uma doença autoimune causada pela formação de anticorpos que matam os melanócitos (células que dão pigmentação à pele), gerando manchas brancas. O dermatologista indiano aperfeiçoou o método de extração de melanócitos de áreas saudáveis do corpo para serem transplantadas em áreas atingidas pela doença. Durante o procedimento, é retirado um pequeno e fino fragmento de pele de uma área saudável do corpo do paciente. Depois disso, são extraídas as células de pigmentação desse fragmento. A área atingida pelo vitiligo é raspada e os melanócitos são colocados sob a pele afetada.