BRASIL
Sexta-feira, 12 de Março de 2010, 20h:42
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Suspeito tinha passagem pela polícia por porte
BRUNO PAES MANSO, JOSMAR JOZINO e LUIZ GUILHERME GERBELLI
Da agência Estado - São Paulo
O universitário Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, de 24 anos, queria sequestrar o cartunista Glauco, segundo parentes da vítima contaram ao chegar à Delegacia Seccional de Osasco. O pai do estudante, o comerciante Carlos Gricchi Nunes, disse à Polícia Civil que o filho precisa de tratamento. "Ele requer cuidados especiais. Não o vi depois do que aconteceu, nem sei com quem ele estava." Segundo a polícia, Nunes era dependente de drogas e procurou a igreja para se livrar do vício da cocaína e da maconha. Ele tem uma passagem por porte de entorpecentes. Em 2007, ingressou em Artes Visuais da Faculdade Belas Artes, mas decidiu trancar a matrícula. Filho de pais separados e de classe média, Nunes, de acordo com a polícia, era amigo de Raoni, filho do cartunista, desde a infância. Cresceu entre o Alto de Pinheiros e a Vila Madalena, bairros nobres da zona oeste. O rapaz não ia à casa de Glauco havia seis meses. Anteontem à noite, ele procurou o amigo e queria que Glauco o ajudasse a se livrar das drogas. A mãe de Nunes, Valéria Sundfeld, mora num prédio no Alto de Pinheiros. Ela é separada do pai do rapaz. Funcionários do edifício disseram que ela estava muito agitada hoje. Afirmaram que Valéria tem problemas psicológicos e toma remédio controlado Acrescentaram ainda que Nunes morou com a mãe até novembro do ano passado, quando se mudou para a casa da avó, na Vila Mariana, zona sul. Policiais civis conversaram com um vizinho das vítimas e apuraram que Nunes foi à residência de Glauco acompanhado por dois amigos. VILA ASTRAL O local do crime, onde vive a família de Glauco, fica ao lado da Igreja Céu de Maria, no Morro de Santa Fé, ao lado do Pico do Jaraguá. Batizada de Vila Astral, era uma comunidade onde vivem outros seguidores da seita Santo Daime. Sundfeld ia muito pouco à igreja e tinha o perfil parecido ao de outros jovens, que muitas vezes confundem a religião com diversão. "O Daime está voltado para a cura e para o autoconhecimento. Exige muita disciplina daqueles que tentam se curar ou mudar. Quem quer diversão não volta, porque os rituais são longos. Eu não me recordo desse garoto fisicamente na igreja Só se lembram dele algumas pessoas que ficavam mais atentas durante as cerimônias ao comportamento dos jovens", diz Orlando Cardoso, primo de Glauco. (Colaborou Marcelo Godoy)