BRASIL
Quinta-feira, 06 de Novembro de 2008, 19h:58
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POR CRÍTICAS
STF mantém banqueiro em liberdade
MARIÂNGELA GALLUCCI
Da Agência Estado Brasília
Num julgamento repleto de críticas às autoridades que atuaram na Operação Satiagraha, principalmente ao juiz Fausto Martin de Sanctis, a maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou ontem que o banqueiro Daniel Dantas deve permanecer solto e que tem o direito de ter acesso ao inquérito no qual é investigado por suspeitas de envolvimento com crimes financeiros. Preso duas vezes em julho, o banqueiro foi solto nas duas ocasiões por determinação do presidente do STF, Gilmar Mendes. Decano do STF, o ministro Celso de Mello afirmou durante o julgamento de ontem que Sanctis, que atua na 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, onde o inquérito tramitou, cometeu um ato insolente, insólito e ilícito ao não prestar informações ao Supremo sobre as investigações abertas contra Dantas. "Essa Corte não pode tolerar abusos", afirmou Celso de Mello. Para justificar o fato de não informar o STF, o juiz teria dito na época que os dados estavam protegidos pelo sigilo e que, por esse motivo, ele estava impedido de fornecê-los. Celso de Mello disse que Sanctis tentou construir um feudo em sua vara. O vice-presidente do Supremo, Cezar Peluso, defendeu que o tribunal tomasse providências contra o magistrado. Peluso afirmou que o Judiciário não pode se transformar em parte, sob pena de perder a sua imparcialidade. "O Judiciário não foi criado para condenar, mas para julgar", afirmou Peluso. Segundo o ministro, o juiz apenas deve condenar quando houver provas. Peluso sugeriu que o STF encaminhe um ofício ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) perguntando sobre em que situação está uma representação encaminhada ao órgão para avaliar a conduta do juiz Sanctis no caso. Peluso condenou o fato de Sanctis ter criticado a decisão de Mendes de soltar Dantas. "Os juízes, muitos noviços, não são corregedores do Supremo Tribunal Federal", afirmou o vice do Supremo. Peluso ressaltou que Sanctis chegou a errar o nome do relator do caso no STF, Eros Grau. Num ofício, enviado ao Supremo, o juiz chamou o ministro de Eros Grau de Mello. Os ministros também criticaram o fato de Sanctis ter decretado uma nova prisão de Dantas depois de o presidente do Supremo ter determinado pela primeira vez a soltura do banqueiro Para a maioria dos ministros, isso somente poderia ter ocorrido se tivessem surgido de fato provas novas, o que não ocorreu, na opinião deles. Conforme o STF, as prisões de Dantas, decretadas por Sanctis, eram desnecessárias.