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Cuiabá MT, Sexta-feira, 19 de Junho de 2026

BRASIL
Terça-feira, 17 de Março de 2009, 20h:29

SERRA DO SOL

STF conclui julgamento de reserva hoje

Depois de décadas de disputa entre índios e fazendeiros pelas terras, o STF concluirá hoje o julgamento da ação em que é questionada a sua demarcação

MARIÂNGELA GALLUCCI
Da Agência Estado – Brasília
O Supremo Tribunal Federal (STF) pretende concluir hoje que a demarcação da reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, deve ser contínua e que os arrozeiros que ocupam a região têm de sair da área. Também será definido o momento em que a terra terá de ser desocupada, se imediatamente ou somente após publicada a decisão, o que pode demorar meses. Depois de décadas de disputa entre índios e fazendeiros pelas terras, o STF concluirá hoje o julgamento da ação em que é questionada a demarcação, ressalvando que os índios e a Fundação Nacional do Índio (Funai) não podem impedir a entrada na região de agentes da União que atuam, por exemplo, na defesa de fronteiras. O julgamento começou em agosto do ano passado, mas foi interrompido duas vezes por pedidos de vista. O último pedido foi feito pelo ministro Marco Aurélio Mello depois que 8 dos 11 ministros do tribunal já tinham votado favoravelmente à demarcação contínua. Ele anunciará o seu voto a partir das 9 da manhã. O ministro pode ser o único integrante do STF a discordar da demarcação contínua. A expectativa é de que Marco Aurélio afirme que ocorreram problemas no processo burocrático de demarcação de terras. Ele também deve opinar que já houve um processo de aculturação dos índios e que não é mais aceitável a alegação de que os indígenas devem viver isolados na região. O ministro deve discordar também do argumento de que as terras devem ficar com os índios porque eles são os pioneiros. Marco Aurélio costuma afirmar que se fosse assim o Brasil teria de ser entregue aos índios porque eles foram os habitantes originais do País. Depois de Marco Aurélio, votarão o decano do STF, Celso de Mello, e o presidente do tribunal, Gilmar Mendes. A expectativa é de que os dois votem de acordo com a maioria, aprovando a demarcação contínua. Deve prevalecer o voto dado em dezembro pelo ministro Carlos Alberto Menezes Direito. Naquela ocasião, Direito aprovou a demarcação contínua, mas fez 18 ressalvas à atuação dos índios na área. Os índios devem ser proibidos, por exemplo, de cobrar pedágio nas estradas que atravessam a reserva, de explorarem recursos hídricos e potenciais energéticos e de garimparem o subsolo da região.

Edição EDIÇÃO 16966




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