BRASIL
Sábado, 10 de Novembro de 2012, 14h:25
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ENFRENTAMENTOS
Sobe o número de mortos em SP por conta da violêcia
Nos últimos 15 dias, 142 pessoas morreram na Grande São Paulo. A média diária de quase dez supera a verificada tanto neste ano quanto em 2011 foram seis
Depois de um dos dias mais violentos dos últimos 15 dias, com 15 mortos e um ônibus queimado, a capital e a Grande São Paulo registraram cinco mortes entre a noite de sexta-feira e a madrugada de ontem, segundo informou a Polícia Militar. Na cidade de São Paulo, um PM que estava de folga matou dois homens em uma suposta tentativa de assalto na região de São Mateus, na zona leste, na noite de anteontem. O DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa) investiga se o PM matou por engano os dois homens. Segundo a polícia, o soldado passava de carro pela rua Gaia quando dois homens fecharam o veículo onde ele estava com a mulher e o filho de um ano e meio. A PM informou que o soldado reagiu e atirou contra os dois ocupantes do furgão. As famílias das vítimas contestam a versão do policial. Segundo parentes, os dois trabalhavam com polimento de peças e retornavam para casa quando foram mortos. Outra vítima de homicídio foi encontrada baleada por volta das 23h15 de anteontem na rua São José de Sezerdelo, no Jardim Modelo, região do Jaçanã, zona Norte. Ela chegou a ser socorrida ao hospital São Luiz Gonzaga, mas não resistiu. Pouco antes, por volta das 23h, outro homem também foi morto a tiros na rua Paulo de Morais, na Vila Morais, zona Sul. Nas cidades da Grande São Paulo, a PM registrou a ocorrência de um homem baleado em Suzano, por volta da 0h30 de sexta, na rua Particular, no Jardim Colorado. Ele estava caído em um terreno baldio e foi socorrido ao hospital em estado grave. ÔNIBUS A exemplo do que ocorreu na noite anterior, na sexta-feira outro ônibus foi queimado. O veículo foi incendiado por volta das 21 na altura do número 970 da avenida Jardim Tamoio, no Conjunto Residencial José Bonifácio, zona Leste de São Paulo. Segundo a polícia, no coletivo estavam apenas o cobrador e o motorista. Um grupo entrou, roubou o dinheiro que estava no veículo e depois ateou fogo. Ninguém ficou ferido. O caso foi registrado no 63º DP (Teotônio Vilela). QUEDA Na quarta-feira, o governador Geraldo Alckmin disse que fazia acompanhamento diário da onda de violência. "[As mortes] já estão em processo de queda. Eu tenho um acompanhamento diário, elas já estão em um ritmo bem menor. Tem coisa que não tem ligação com o crime organizado", disse. A escalada da violência começou em setembro, mês em que 144 pessoas foram mortas na capital, e se intensificou após o dia 24 de outubro. Desde então, são comuns relatos de motoqueiros matando moradores e policiais. Para a polícia, parte das mortes foi ordenada pelo PCC, parte é de bandidos se aproveitando para matar desafetos e há os crimes ocasionais, como os passionais. O delegado Jorge Carrasco, diretor do departamento de homicídios, chegou a dizer que a onda de homicídios era um "balaio louco". A chacina em Santo André não tinha explicação até a publicação desta matéria. "Ele não roubava e nunca foi violento", disse Elisângela Alves dos Santos, ex-mulher de Agnaldo Nascimento Silva, uma das vítima. A violência afetou também o transporte coletivo na zona sul. Os mais de cem ônibus da empresa Cidade Dutra deixaram de circular por um períodoã porque criminosos atearam fogo em um veículo e feriram um cobrador. São Paulo também está distante de ser um dos Estados mais violentos do Brasil. No ano passado, por exemplo, fechou com uma taxa de 10,1 homicídios por 100 mil habitantes. Estão no topo do ranking Alagoas (74,5) e Espírito Santo (44,8).