Abarrotada de processos de militares que reclamam reparação econômica da União, a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça criou uma turma exclusiva, com quatro especialistas, para julgar as demandas do pessoal da caserna. Estão na fila 7 mil casos, a serem julgados até 2010, dos quais 5.200 neste ano, segundo o presidente da comissão, Paulo Abrão. De 2004 para cá, quando os militares passaram a ser contemplados por reparações da Lei de Anistia, foram julgados 13 294 processos, sendo 4.856 deferidos e 8.438 negados. A média é de uma anistia concedida para duas negadas. As indenizações ao pessoal fardado já custaram R$ 1,2 bilhão, conforme levantamento da ONG Contas Abertas no Sistema Integrado de Administração Financeira da União (Siafi). No total, foram pagos até agora R$ 2,5 bilhões aos dois lados - a conta final deve chegar a R$ 4,5 bilhões. O volume embolsado pelos militares é quase igual ao destinado às vítimas civis da repressão (1964-1985), R$ 1,3 bilhão. O levantamento inclui tanto os militares das Forças Armadas como os membros das polícias estaduais. Nas Forças Armadas, os indeferimentos são em maior número, principalmente por causa de um truque usado por cabos e soldados da Aeronáutica.