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BRASIL
Quinta-feira, 27 de Maio de 2010, 21h:42

FRONTEIRA

Serra volta a fazer críticas à Bolívia

Para assessor especial da Presidência, "Serra é o exterminador do futuro da política externa". Para analistas, discurso crítico pode acentuar queda nas pesquisas

ELDER OGLIARI, MÔNICA CIARELLI e CAROLINA FREITAS
Da Agência Estado – São Paulo
O pré-candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, voltou a criticar ontem o trabalho do governo boliviano na fronteira com o Brasil. "Vocês já ouviram falar de algum controle do governo boliviano com relação a esse contrabando que entra no Brasil? Eu nunca ouvi falar", disse em visita a Gramado. O pré-candidato, que participa do 26º Congresso Nacional de Secretários Municipais de Saúde na cidade gaúcha, defendeu que o Brasil pressione o país vizinho. "A meu ver, o Brasil deveria falar com o governo boliviano, fazer gestões, pressionar para que controlem a exportação ilegal de cocaína para nossa juventude. Essa que é a questão fundamental". Serra afirmou que não está propondo nenhuma intervenção dentro da Bolívia. "Eu trato a Bolívia como um país independente, com autodeterminação. Mas como a Bolívia exporta droga para o Brasil, é impossível que o governo não possa controlar isso", disse. O tucano também afirmou que já sabia há vários meses que o ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves, não seria seu vice de chapa. Indagado se a resistência de Aécio em aceitar uma chapa "puro-sangue" mudaria alguma coisa, Serra respondeu com outra pergunta: "Como pode mudar, se nunca mudou?" Questionado ainda se perdeu um bom candidato a vice, Serra respondeu: "Você só perde o que tem. Ele não era candidato a vice." EXTERMINADOR O assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, chamou ontem o pré-candidato do PSDB à presidência da República, José Serra, de "exterminador do futuro" da política externa por sua declaração sobre a Bolívia. Segundo ele, um aspirante a "primeiro funcionário de governo" deveria ter mais serenidade ao analisar uma situação internacional, que envolva o relacionamento entre países vizinhos. Num ato falho, Garcia chegou a chamar Serra de Presidente. "O presidente Serra está tentando ser o exterminador do futuro da política externa. Já destruiu o Mercosul, quer destruir nosso relacionamento com a Bolívia, e (já chamou) o Mahmoud Ahmadinejad é um Hitler", afirmou. E completou, em tom irônico: "Acho que talvez ele esteja pensando em uma política de corte de despesas e venha a fechar 20 a 30 embaixadas nos países que ele está insultando nesse momento." PREJUÍZO Em queda nas pesquisas de intenção de voto, o pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, temperou nos últimos dias seu discurso com críticas à adversária Dilma Rousseff (PT) e ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A estratégia: contrapor ao máximo Serra a Dilma. Os líderes tucanos acreditam que, em debates públicos, o ex-governador levaria a melhor. Analistas políticos, no entanto, ponderam que os ataques nem sempre são bem recebidos pelos eleitores e podem fazer Serra cair ainda mais nas pesquisas de intenção de voto. No sábado passado, o Instituto Datafolha mostrou empate entre Serra e Dilma, ambos com 37% das intenções de voto. A diferença entre os dois era de 12 pontos em abril.

Edição EDIÇÃO 16960




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