BRASIL
Terça-feira, 25 de Maio de 2010, 21h:06
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CRÍTICAS
Serra eleva tom e ataca governo Lula
As críticas ao governo mais acentuadas por Serra: aparelhamento político das agências reguladoras e de postos importantes do Executivo e falta de planejamento
CHRISTIANE SAMARCO e DENISE MADUEÑO
Da Agência Estado - Brasília
Pressionado pelas últimas pesquisas de intenção de voto que registraram queda da candidatura tucana e provocaram ansiedade em aliados e correligionários, o candidato do PSDB a presidente, José Serra, deixou de lado o figurino "Paz e Amor", criticou o governo e chamou a adversária petista Dilma Rousseff para o debate. Muito à vontade e falando de improviso à plateia de industriais e parlamentares reunidos pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) para o "Encontro de Presidenciáveis", Serra elevou o tom das críticas ao governo Lula e ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). "Falta planejamento, qualidade de gestão e falta capacidade para fazer sequenciamento dos investimentos segundo a ordem de prioridade", afirmou o tucano. Sorteado para falar em segundo lugar, logo após Dilma Rousseff, Serra atacou as altas taxas de juros, a carga tributária e os baixos níveis de investimentos e criticou a importação de produtos chineses mais de uma vez. Chegou a ironizar a petista, dizendo que "não entendia" as posições defendidas pela adversária. "Não entendi a explicação da Dilma quando ela defende a política cambial e de juros. Entra governo, sai governo, continuamos com os maiores juros do mundo", disse. Em resposta à plateia que cobrava com insistência a redução de impostos, de juros e de encargos trabalhistas, Serra defendeu o fim de dois tributos na construção de infraestrutura em saneamento, e mais: afirmou que, caso eleito, haverá "uma proposta eliminando o PIS e o Cofins do saneamento no dia 2 de janeiro," referindo-se ao Programa de Integração Social e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social. Serra repetiu os ataques ao aparelhamento político das agencias reguladoras e de postos importantes do Executivo e falta de planejamento. "Por que um partido quer a diretoria financeira de uma empresa pública?" Ao final, fez questão de destacar que foi um dos primeiros a defender o tripé macroeconômico que inclui juros flutuantes, as metas de inflação e responsabilidade fiscal. Bem humorado, até debochou do temor que o mercado teria de suas ideias. "Eu ajudei a erguer a mesa da economia do Brasil, não vou derrubar esta mesa", afirmou, para concluir sob aplausos: "O importante é que a gente olhe para frente". DILMA A uma plateia formada por empresários, a pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, assumiu o compromisso de que fará a reforma tributária se for eleita em outubro. "Sou favorável à reforma tributária. Assumo o compromisso porque é a reforma das reformas", afirmou Dilma, durante o "Encontro da Indústria com os Presidenciáveis", realizado na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília. De acordo com Dilma, ao mesmo tempo que assegura a melhoria da competitividade, a reforma tributária permite que o Brasil dê um salto de crescimento. "Sem ela, é difícil assegurar um crescimento sustentável", considerou.