BRASIL
Quinta-feira, 25 de Junho de 2009, 21h:07
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PRESIDÊNCIA DO SENADO
Senadores pedem o afastamento de Sarney
Lula muda avaliação que vinha fazendo da crise do Senado, adota uma postura institucional e diz que prefere deixar a solução da crise para o próprio Senado
EUGÊNIA LOPES e TÂNIA MONTEIRO
Da Agência Estado Brasília
"Tem de sair". A frase, curta e peremptória, fez parte do discurso duro em que o senador Pedro Simon (PMDB-RS) reiterou ontem o pedido de afastamento do senador José Sarney (PMDB-AP) da presidência da Casa. Simon foi seguido por senadores dos principais partidos políticos, que se revezaram na tribuna com o mesmo pedido. Nenhuma liderança da cúpula do PMDB compareceu hoje ao plenário do Senado para defender Sarney - o presidente não foi ao Congresso. A pressão para que Sarney deixe a presidência do Senado aumentou depois da revelação de que José Adriano Cordeiro Sarney, neto do senador, tem uma empresa (Sacris Consultoria, Serviços e Participações Ltda) que faz intermediação de crédito consignado no Senado. Os senadores Demóstenes Torres (DEM-GO), Eduardo Suplicy (PT-SP), Cristovam Buarque (PDT-DF) e Arthur Virgílio (PSDB-AM) aproximam-se de Simon na ideia de que Sarney não tem condições políticas para mandar investigar problemas que envolvem parentes ou aliados políticos. "Não dá, não dá, não dá", pregou Simon, referindo-se à necessidade de sair do comando da Casa. O mordomo da ex-senadora Roseana Sarney, que ganha pelo menos R$ 12 mil do Senado, o neto e o crédito consignado, e Agaciel Maia, ex-diretor-geral que está por trás dos atos secretos e de boa parte dos desmandos administrativos, como o pagamento de hora extra no recesso da Casa, são considerados problemas que rondam a presidência de Sarney nas três presidências, 1995, 2003 e 2009. "O presidente tem de se afastar da presidência do Senado Ele deve se afastar para o bem dele e de sua família. A sua saída representa um ato de grandeza", defendeu o senador Pedro Simon (PMDB-RS), que foi ministro da Agricultura no governo de José Sarney, na década de 80. "É bom que ele (Sarney) saia da presidência do Senado antes que sua situação fique insustentável", avisou. "Se eu estivesse no lugar do presidente Sarney seguiria a recomendação do senador Simon e me afastaria da presidência para dar todas as condições para esclarecer os episódios", disse Suplicy. Ele propôs a eleição imediata de um peemedebista para substituir Sarney. "Seria um presidente consensual nesta hora grave de afastamento do presidente Sarney", argumentou o petista "A ideia da licença de Sarney é uma sugestão e não uma pressão", observou Cristovam Buarque, ao lembrar que o próprio presidente do Senado reconheceu, no início desta semana, que tem um estilo mais lento para promover mudanças. Demóstenes Torres avaliou que a revelação dos negócios do neto de Sarney cria uma "situação altamente duvidosa" para a Casa. "Não podemos desconhecer esse caso", disse. Ele cobrou o afastamento de Sarney do comando das investigações para apurar o envolvimento do ex-diretor-geral do Senado Agaciel Maia e do ex-diretor de Recursos Humanos João Carlos Zoghbi na elaboração de atos secretos. Fora de Brasília, o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio, afirmou que a situação de Sarney caminha para a "inviabilidade". "Não sei se é caso de licença ou renúncia. Mas ele está indo mal e precisa responder com urgência. O que se desenha é uma crise institucional", disse o tucano. Mais tarde, em nota do partido, Virgílio sugeriu que Sarney se afaste da apuração dos casos que envolvem o nome do senador peemedebista e de pessoas de sua família, além das investigações contra Agaciel e Zoghbi. LULA O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mudou a avaliação que vinha fazendo da crise do Senado. Em vez de defender o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), como havia feito duas vezes antes com veemência, ontem à tarde Lula adotou uma postura institucional e preferiu deixar a solução da crise para o próprio Senado. Justamente no dia em que Sarney divulgou uma nota em que praticamente pede socorro ao presidente Numa rápida entrevista coletiva concedida ontem, Lula disse que há denúncias de irregularidades no Senado e que existe a fase de apuração. Então, na opinião dele, feito isto, deve-se tomar as providências. O que não pode, segundo Lula, é o País passar o mês inteiro discutindo a crise do Senado - agravada depois do dia 10, quando foi revelado a existência de atos secretos editados para dar regalias e aumentar salários de parentes e apaniguados de senadores e diretores da Casa.