BRASIL
Terça-feira, 26 de Outubro de 2010, 19h:30
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LUTO
Senador e delegado Romeu Tuma morre aos 79 anos em SP
Romeu Tuma havia colocado um coração artificial há 23 dias, que segundo a equipe médica funcionou plenamente, mas não resistiu a uma infecção que o acometeu
ROBERTO ALMEIDA
Da Agência Estado - São Paulo
O senador e veterano delegado de polícia Romeu Tuma (PTB-SP), 79 anos, morreu ontem, às 13 horas, vítima de falência múltipla dos órgãos no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Tuma havia colocado um coração artificial há 23 dias, que segundo a equipe médica funcionou plenamente, mas não resistiu a uma infecção que o acometeu. Então candidato à reeleição, o senador foi internado a contragosto no dia 1º de setembro com um quadro de faringite infecciosa, que causou a perda de sua voz. Tuma foi obrigado a deixar sua campanha à deriva. Por conta de uma desidratação, que lhe causou insuficiência renal, a situação clínica se agravou. Vieram, então, os problemas cardíacos. Dias antes da colocação do dispositivo de assistência circulatória Berlin Heart, o coração artificial, o senador foi sedado e assim permaneceu durante a maior parte do tempo. Nunca soube do resultado das eleições. Recebeu 3,97 milhões de votos, mas não se reelegeu. Ficou em quarto lugar. "Ele queria muito voltar e lutar, por isso acabamos não tendo coragem de contar isso para ele", disse seu filho e chefe da junta médica que o acompanhou, Rogério Tuma. Segundo ele, o senador evoluiu bem após a cirurgia, conduzida pelo cardiologista Fábio Jatene, e a sedação foi retirada. Mas o quadro era crítico. "Ele chegou a acordar, só que na fase em que ele estava acordando ele não chegou a recuperar a consciência plenamente e a ter um contato sólido conosco", afirmou Rogério Tuma. "Ele teve uma piora clínica mesmo há três dias. Até três dias atrás a gente conseguia ter contato com ele, não um diálogo profundo, mas ele demonstrava sinais de contato." FILHOS O senador e veterano delegado deixou quatro filhos e nove netos. Havia completado 79 anos dia 4 de outubro com um histórico de saúde frágil. Há 12 anos sofreu um enfarto. Diabético, vivia à base de dietas restritivas. Era portador de três pontes de safena e havia perdido parte da função cardíaca, mas não deixou de se manter sua atuação política. "Ele queria trabalhar, fazer a campanha dele e todo mundo insistindo para ele parar um pouco, fazer os exames e ser internado, mas ele não aceitava e lutou muito contra isso. Eu acabei forçando ele a ficar no hospital", ressaltou Rogério. Emocionado, com as mãos trêmulas, o filho disse se sentir um "médico derrotado". "Eu não consegui fazer o que eu queria ter feito pelo meu pai", suspirou. Também muito emocionado, o deputado Robson Tuma (PTB-SP), filho do senador, não conteve as lágrimas ao comentar as ligações que recebeu do presidente Lula e do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). "A família agradece muito as manifestações de carinho de toda a população e de todas as pessoas", disse, aos soluços, poucos antes de entrar no hospital. O corpo de Tuma, que deixou o hospital por volta das 18h, e está sendo velado na Assembleia Legislativa de São Paulo. O enterro será realizado hoje às 15h no Cemitério São Paulo, na zona oeste da capital paulista. REPERCUSSÃO Políticos e autoridades lamentaram a morte do senador Romeu Tuma. Além das mensagens de apoio de Lula e Sarney, o governador eleito e aliado Geraldo Alckmin (PSDB), que declarou voto no senador, considerou a morte "uma perda para São Paulo e para o Brasil". "Romeu Tuma foi um grande homem público", sublinhou. Em nota assinada pelo deputado Mendes Thame, o PSDB paulista classificou Tuma como "excepcional homem público, competente, íntegro e com uma extensa folha de serviços prestados". "Tuma deixará, além de sua história, muita saudade", diz o texto. Pelo Twitter, deputados e senadores de todo o espectro político também renderam homenagem a Tuma. "Ele era o mais cordial dos senadores desta legislatura", postou o senador Cristovam Buarque (PDT-DF).