BRASIL
Quarta-feira, 23 de Janeiro de 2013, 21h:02
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CONGRESSO
Salvatti nega preocupação com PMDB nas presidências
A ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) negou ontem que cause preocupação para as negociações políticas a volta do PMDB ao comando do Senado e da Câmara, que deve ocorrer no mês que vem. Ideli disse que só consegue vislumbrar para a articulação política com a base governista as "tensões naturais da relação entre Legislativo e Executivo". O PMDB já conta com o vice-presidente Michel Temer e deve pela sexta vez, desde a Constituição de 1988, ocupar por dois anos outros dois cargos na linha sucessória da presidente Dilma Rousseff: os comandos da Câmara e do Senado. Os cargos aumentarão o poder de barganha da sigla, que já tem a maior bancada no Senado e a segunda maior da Câmara. Se vitoriosos, os peemedebistas controlarão a pauta de votações das Casas, a criação de CPIs e ocasionais pedidos de impeachment da presidente da República. "O PMDB é vice-presidente da Republica. Obviamente o PMDB tem todo o compromisso e participação e governa conjuntamente", disse a ministra, após encontro com o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS). "Eu não consigo vislumbrar nenhuma dificuldade a não ser as tensões naturais da relação entre Legislativo e Executivo. E isso aí, já estamos acostumados, enfrentamos e superamos", completou. Ela ainda desconversou sobre a possibilidade do PMDB ganhar mais um posto na reforma ministerial que pode ocorrer após a eleição do Congresso. ESCOLHA No dia 1º de fevereiro, os senadores escolhem o novo presidente, que deve contar com a candidatura de Renan Calheiros (PMDB-AL). A eleição para a Câmara ocorre no dia 4. O favorito é o atual líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), e ainda estão na disputa Rose de Freitas (PMDB-ES) e Julio Delgado (PSB-MG). A ministra afirmou que tem mantido conversas com os peemedebistas que disputam a sucessão de Alves na liderança do PMDB. O Planalto tem receio da atuação do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e teria mais simpatia por Sandro Mabel (GO), já que o outro candidato Osmar Terra (RS) apoiou a oposição na eleição presidencial de 2010. Ideli minimizou os encontros e disse que o governo não interfere nas escolhas das bancadas. "Liderança de partido é decisão soberana de partido e da nossa parte não tem preferência, envolvimento, cada partido tem autonomia." GARANTIAS Ideli procurou Maia para tratar da votação do Orçamento de 2013, programada para o dia 5 de fevereiro. A ministra quer a garantia de que o acordo será mantido, já que o Congresso encerrou os trabalhos no ano passado sem analisar a proposta. "Nós temos a convicção que o acordo da votação do orçamento no dia 5 será honrado", disse. O impasse em relação ao Orçamento ocorreu após a confusão em torno da derrubada dos vetos presidenciais à lei que muda a distribuição dos royalties do petróleo, que tomou quase todas as sessões do Congresso no fim deste ano. A questão foi parar no Supremo e houve um entendimento de que a pauta estava trancada até a análise dos vetos. A ministra afirmou ainda que não há previsão de quando serão votados mais de 3.000 vetos presidenciais que estão na pauta do Congresso. Inicialmente, a previsão era que o tema fosse discutido no dia 6 em sessão conjunta da Câmara e do Senado. "Acredito que, por conta do Carnaval, esse assunto fique para depois", afirmou. Sem Orçamento, o governo poderia gastar com despesas obrigatórias, como salários, e os chamados "restos a pagar", as contas pendentes de anos passados, mas não com investimentos.