FERNANDO NAKAGAWA e DAIENE CARDOSO
Da Agência Estado Brasília
A fraude sofrida pelo Banco Panamericano foi gerada pela maquiagem de dados envolvendo a venda de operações de crédito da financeira do empresário Silvio Santos para grandes bancos de varejo. O problema foi detectado há cerca de seis semanas por técnicos do Banco Central quando estavam sendo conferidos financiamentos vendidos pela instituição. Na ocasião, foi constatado que grandes bancos haviam adquirido operações do Panamericano em número maior que o declarado. É como se o comprador anunciasse a compra de 50 operações, mas o vendedor registrava a venda de 10. OPERAÇÃO Uma das hipóteses é que a diretoria fazia a operação irregular para aumentar o lucro do banco, o que aumentava os bônus dos executivos. O diretor de fiscalização do BC, Alvir Hoffmann, disse ainda não ter precisão quando às datas, mas admitiu que esse expediente pode estar sendo usado há três ou quatro anos. Ao se deparar com a diferença de números, técnicos do BC passaram a avaliar carteira por carteira para encontrar a causa do problema. Foi um trabalho de mais de um mês. "Chegamos à conclusão de que o Panamericano havia vendido operações e não havia 'dado baixa' no balanço. Por isso, o volume declarado era muito maior que o efetivo", diz fonte que acompanhou o processo desde o início. "A manutenção desses ativos na carteira gerava receitas extras, além da própria receita obtida com a venda da carteira. Portanto, o balanço trazia ativos e receitas a mais", explicou Alvir Hoffmann em entrevista no fim da tarde de ontem. LULA O ex-coordenador de plano de governo da presidente eleita Dilma Rousseff Alessandro Teixeira disse ontem não ver problema algum em um presidente da República encontrar-se com empresários. Questionado sobre o encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o empresário Silvio Santos, em setembro, dois meses antes da liberação de R$ 2,5 bilhões do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) ao Banco Panamericano (do empresário do SBT), Teixeira disse que o encontro entre um presidente da República e o empresariado é normal. "O fato de um grande empresário ver o presidente é natural", disse, após participação no Fórum de Sustentabilidade promovido pela revista Exame, em São Paulo.