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BRASIL
Quarta-feira, 15 de Junho de 2011, 20h:30

CALOTE

Risco do Brasil não pagar é menor que o dos EUA

A queda do risco de calote abaixo dos EUA representa uma boa política fiscal

DANIEL LIMA e YARA AQUINO
Da Agência Brasil – Brasília
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou ontem que o risco de o Brasil deixar de pagar suas dívidas é menor do que o dos Estados Unidos. “Pela primeira vez na história, o risco do Brasil é menor do que o risco dos Estados Unidos”, destacou Mantega, em entrevista à imprensa depois de café da manhã com a presidenta Dilma Rousseff e os governadores de estados do Nordeste e do Norte, no Palácio do Planalto. Mantega se referiu ao risco avaliado no mercado do Credit Default Swap (CDS), uma espécie de seguro usado por investidores como proteção contra o risco de o devedor não ter condições de quitar suas obrigações. “Então, quem tem medo de que possa haver um não cumprimento, um não pagamento, faz o seguro [CDS]”, ressaltou. Ele lembrou que atualmente existe um volume de mais de US$ 70 trilhões nesse tipo de operação. Segundo dados divulgados por Mantega, atualmente, quando se faz um seguro sobre a dívida brasileira, paga-se menos do que no caso da dívida norte-americana. O ministro disse ainda que está feliz com a notícia porque ela representa a solidez da economia brasileira e a confiança dos investidores sobre o Brasil. “A presidenta Dilma ficou satisfeita pelo fato de o Brasil ter um risco menor do que os EUA. Isso mostra que estamos praticando um política econômica correta”, disse. RECONHECIMENTO A queda do risco de calote da dívida do Brasil para níveis inferiores aos dos Estados Unidos representa o reconhecimento da política fiscal do país nos últimos anos, disse ontem o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin. Em audiência na Comissão Mista de Orçamento, ele afirmou que a política de superávits primários (economia para pagar os juros da dívida pública) e de redução gradual da dívida líquida do setor público permitiu a melhoria da percepção dos investidores internacionais em relação à economia brasileira. “Essa é uma demonstração de que os resultados [da política fiscal brasileira] são reconhecidos pelo mercado. Isso reflete a estratégia de cumprimento de metas fiscais que temos conseguido apresentar e colocar para o país”, afirmou o secretário. Convidado para falar sobre o cumprimento das metas fiscais, a execução do Orçamento de 2011 e a preparação do Orçamento de 2012, o secretário apresentou números de cumprimento das metas para as contas públicas. Segundo Augustin, o esforço fiscal permitiu a redução da dívida líquida de 54,8% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2003 para 39,85% em abril deste ano. “Existe uma forte tendência na redução da dívida líquida. Não é à toa que os agentes econômicos vêm reconhecendo os fundamentos da economia brasileira.” Em relação ao cumprimento das metas fiscais, Augustin ressaltou que o superávit primário nos quatro primeiros meses do ano atingiu R$ 40,69 bilhões, quase metade da meta de R$ 81,76 bilhões para todo o ano. “Em 2009 e 2010, reduzimos resultado primário para a reativação da economia. Agora, com a economia em expansão, estamos voltando aos resultados de antes da crise.”

Edição EDIÇÃO 16969




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