BRASIL
Terça-feira, 29 de Janeiro de 2013, 20h:19
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TRAGÉDIA
Revisão eleva o número de mortos para 234
Polícia diz ter fortes indícios de que boate Kiss, onde morreram 234 jovens, não poderia estar funcionando. Segundo o Ministério da Saúde, 6 já recebem alta
Mariana Jungmann
Da Agência Brasil - Santa Maria(RS
O incêndio na Boate Kiss deixou 234 mortos, e não 231, como vinha sendo divulgado oficialmente até ontem. De acordo com a chefe da Regional de Santa Maria do Instituto Geral de Perícias (IGP) do Rio Grande do Sul, Maria Ângela Zucchetto, desde o início houve um erro na lista divulgada pelas autoridades, na qual foram desconsiderados três nomes. Ontem, milhares de pessoas fazem passeata pelas ruas de Santa Maria em homenagem às vítimas. Nós não tínhamos computador, cabo, nada. Tudo foi feito manualmente. Nós contamos 234 corpos e fizemos a identificação de todos, mas em algum momento do processo esses três nomes não entraram na lista oficial, explicou a Maria Ângela. Ainda segundo ela, a falta dos nomes na lista oficial não representou problema na entrega dos corpos às famílias. Todos eles foram identificados, reconhecidos pelos parentes e já foram enterrados. A lista do IGP foi encaminhada para Porto Alegre, onde uma perita irá comparar com a lista oficial de 231 nomes para identificar quem está faltando e investigar porque esses três ficaram fora da contagem. O IGP estima que à tarde será possível divulgar os nomes. INDÍCIOS A Polícia Civil afirmou ontem ter fortes indícios de que a boate Kiss, em Santa Maria (RS), onde 234 pessoas morreram após um incêndio na madrugada de domingo, não poderia estar funcionando. A possibilidade de responsabilização de agentes públicos também foi citado pela primeira vez. "Nós temos indicadores fortes de que a boate não deveria estar aberta, como o fato de ter apenas uma saída, a superlotação, entre outros. Vamos aguardar os documentos (solicitados à prefeitura), que devem chegar às 16h", disse o delegado Marcelo Arigony, pouco antes de se reunir com os promotores Veruska Agostine e Joel Oliveira Dutra, do Ministério Público do Rio Grande do Sul. O delegado também falou pela primeira vez na possibilidade de indiciar agentes públicos no inquérito que apura as causas do incêndio. "Haverá responsabilização de quem quer que seja, independentemente da instituição que seja", afirmou. ALTA O Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, informou na manhã de ontem, que seis feridos no incêndio na boate Kiss em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, receberam alta de segunda para ontem. Com isso, o número de vítimas hospitalizadas passa de 124 para 118: 65 estão internadas em Santa Maria e 53 em Porto Alegre. Desse total, 75 pessoas estão em estado crítico, com risco de morte, sendo que 20 possuem queimaduras graves. Apesar do quadro, o ministro comemorou a ausência de novos falecimentos. "Em uma tragédia como essa, conseguir 54 horas sem mortes é muito bom, muito importante, disse. O Ministério da Saúde alerta para a possibilidade de aparecerem sintomas da pneumonite química entre os jovens que inalaram a fumaça na hora do incêndio em até 72 horas após a tragédia. A orientação é para que aqueles que tiverem tosse seca, falta de ar ou sensação de cansaço procurarem imediatamente a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) no bairro Perpétuo Socorro, o PA do bairro Patronato ou uma unidade de saúde mais próxima. O quadro pode evoluir rapidamente para insuficiência respiratória. Em entrevista coletiva na frente do Hospital de Caridade de Santa Maria, Padilha garantiu que a Força Nacional do SUS irá reforçar o atendimento aos pacientes atingidos pelo incêndio na boate e aos familiares dos mortos. PRISÕES Os proprietários da casa noturna Kiss Elissandro Spohr e Mauro Londero Hoffmann, o vocalista da banda Gurizada Fandangueira, Marcelo de Jesus dos Santos, e Luciano Bonilha, auxiliar do grupo, foram presos segunda-feira, 28. Eles são investigados pela polícia como responsáveis pela tragédia que deixou 231 mortos na boate em Santa Maria, na madrugada de domingo. Outros 75 estão internados em estado gravíssimo. Bonilha é acusado de acender o sinalizador conhecido como sputnik dentro da casa, o que teria provocado a tragédia. Segundo o delegado que investiga o caso, porém, ninguém assumiu o uso do artefato. A polícia suspeita que provas consideradas fundamentais para a investigação tenham sido adulteradas. Os donos da casa não forneceram as imagens do circuito interno de TV e teriam retirado os registros do caixa central antes da perícia, o que poderia mostrar se havia mais gente do que o permitido no local. O Ministério Público estudar acusar os quatro por homicídio com dolo eventual. Em encontro com prefeitos em Brasília, a presidente Dilma Rousseff pediu que a fiscalização de boates seja intensificada.