BRASIL
Sábado, 05 de Fevereiro de 2011, 14h:51
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RETORNO
Repórteres da EBC detidos no Egito chegam no Brasil
DANIEL MELLO e RENATA GIRALDI
Da Agência Brasil - São Paulo
Os jornalistas enviados pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC) ao Egito chegaram ontem às 8h10 no Aeroporto de Guarulhos. O repórter da Rádio Nacional Corban Costa e o repórter cinematográfico Gilvan Rocha, da TV Brasil, retornaram ao Brasil após serem expulsos pelo governo egípcio. Às 12h30 os dois embarcam novamente e seguem viagem para Brasília. Os repórteres foram detidos pelas autoridades locais na quarta-feira, logo após chegarem ao Egito para cobrir as manifestações populares contra o presidente Hosni Mubarak. Eles foram vendados e mantidos sem água por cerca de 18 horas. É uma sensação horrível. Não se sabe o que vai acontecer, desabafou Corban em entrevista à Agência Brasil quando ainda estava no Cairo. Por meio de nota, o Ministério das Relações Exteriores declarou que o governo brasileiro deplora os violentos confrontos no Egito em especial, os atos de hostilidade à imprensa . O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) também divulgou nota prestando solidariedade aos profissionais. É lamentável que a liberdade de imprensa esteja sendo desrespeitada no Egito, país que passa por uma grave crise política, afirmou o sindicato. ADIAMENTO A 3ª Cúpula América do Sul-Países Árabes (Aspa), marcada para os dias 15 e 16 de fevereiro, em Lima (Peru), deve ser adiada. A nova data para a reunião ainda não foi marcada. Assessores da presidenta Dilma Rousseff e diplomatas foram informados pelos organizadores do evento que a cúpula pode ser postergada. É uma medida de precaução, a pedido dos líderes políticos dos países árabes, considerando a crise que atinge parte do mundo muçulmano. A presidenta Dilma faria sua estreia em reuniões internacionais com a presença de chefes de Estado na Aspa. Dos 22 países árabes que integram a cúpula, seis passam por turbulência Egito, Jordânia, Líbano, Palestina, Síria e Iêmen. Em meio a esta situação, os líderes políticos da região apelaram à organização da cúpula da Aspa para adiar sua realização. Porém, o Itamaraty ainda confirma oficialmente a realização do evento e a participação da presidenta Dilma. Antes da sinalização de adiamento da cúpula, os negociadores planejavam divulgar, depois das reuniões, uma nota conjunta em defesa do ambiente democrático e do bem da população. O caso da criação do Estado Palestino também deve merecer um destaque em apoio à autonomia e defesa da região. A medida seria uma resposta à crise política no Egito e nos demais países.