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BRASIL
Sexta-feira, 09 de Abril de 2010, 21h:13

Remoção no alto da Rocinha

ROBERTA PENNAFORT e FELIPE WERNECK
Da Agência Estado – Rio
Três décadas depois de assentar cerca de 50 famílias no Laboriaux, no alto da Favela da Rocinha, zona sul do Rio, a prefeitura quer remover os moradores da localidade, que cresceu bastante no período e avançou sobre a área de mata. Após a destruição causada pelo temporal do dia 5, o prefeito Eduardo Paes (PMDB) anunciou a decisão de realocar todas as pessoas que vivem no Laboriaux e também no Morro dos Prazeres, no centro. A dona de casa Angelita da Silva, de 65 anos, lembra bem de quando foi levada para o Laboriaux, em 1982. No Rio desde os anos 60, a paraibana conta que a parte mais alta da favela, onde há três dias duas pessoas, mãe e filha, foram soterradas por um grande deslizamento de terra, era, à época, um matagal. "Aqui tinha só umas 70 casas, e depois foi chegando cada vez mais gente e subindo mais o morro", conta dona Angelita, que deixou hoje a casa. RACHADURA Luziane da Silva, de 32 anos, filha dela, mora em outro imóvel no mesmo terreno. Ambos foram interditados à tarde pela Defesa Civil. Na sala de Luziane, uma rachadura no chão denuncia que não há mais condições de ficar. Mas, como muitos ali, ela não tem para onde ir. "Sou mãe. Nessa casa criei meus filhos, de 15, 11 e 4 anos. A sensação que tenho é de não ser ninguém. Pra que trabalhar a vida inteira, para a chuva vir e levar?" As casas das duas, assim como todas as que ficam na Rua Maria do Carmo - cerca de 80 - foram evacuadas às pressas. Os moradores foram informados de que não poderão voltar. Cadastradas, as famílias serão assistidas pela Secretaria Municipal de Assistência Social e receberão um auxílio-aluguel no valor de R$ 250 durante três meses. Elas terão prioridade no programa "Minha Casa, Minha Vida", parceria entre os governos federal e estadual. SEM INFORMAÇÃO O problema é que nem sempre a localização desses imóveis agrada. Na Rocinha, a doméstica Sandra Regina Gomes, de 50 anos, está pertinho do trabalho, no Jardim Botânico e nem pensa em se mudar. "Ninguém dá uma posição Estou desde segunda-feira sem dormir, com medo de morrer e de perder a casa", comenta ela, que considera o Laboriaux - o nome vem de uma companhia francesa que era dona do terreno na primeira metade do século passado - o melhor lugar em que já residiu.

Edição EDIÇÃO 16962




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