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BRASIL
Quinta-feira, 14 de Abril de 2011, 20h:55

REALENGO

Preso suspeito de vender arma a atirador

Outras duas pessoas já tinham sido presos sob suspeita de intermediarem a venda da outra arma usada por Wellington no massacre -um revólver calibre 32

A Polícia Civil do Rio prendeu ontem um suspeito de ter vendido a Wellington Menezes de Oliveira, 23, o revólver calibre 38 usado no massacre a escola municipal Tasso da Silveira, na região de Realengo, na zona oeste do Rio. Doze estudantes morreram na ocasião. Manuel Freitas Louvise, 57, teve a prisão preventiva decretada pela Justiça. Ele foi colega de trabalho de Wellington, segundo a polícia. De acordo com informações do TJ (Tribunal de Justiça), uma análise técnica feita pela perícia identificou o número de série da arma, que estava raspado e, levou a Polícia Civil ao acusado. Ainda conforme o tribunal, Louvise confessou à polícia a venda da arma, de munição e de carregadores ao atirador. Outras duas pessoas já tinham sido presos sob suspeita de intermediarem a venda da outra arma usada por Wellington no massacre -um revólver calibre 32. Segundo a polícia, o chaveiro Charleston Souza de Lucena, 38, e o segurança desempregado Izaías de Souza, 48, confessaram e disseram que a arma era de um homem chamado Robson, que teria vendido a arma e cinco munições ao atirador. Lucena disse ainda que Wellington afirmou que precisava da arma para se proteger, já que morava sozinho. A Polícia Civil do Rio divulgou anteontem novas imagens recuperadas dos discos rígidos encontrados na casa de Wellington. De acordo com a polícia, ainda não é possível determinar a data de gravação, porém os dados apontam que o disco foi acessado pela última vez em julho de 2010, o que indica que o crime já era planejado no ano passado. A polícia informou ter sido esse o único vídeo recuperado até agora. ARREPENDIDO O homem que vendeu um revólver 38 a Wellington Menezes de Oliveira, 23, disse que, se adivinhasse como sua arma seria usada, não teria vendido e teria entregue o jovem à polícia. "Eu não matei ninguém. Ele não falou que era pra isso, falou que era pra defesa pessoal", disse Manuel Freitas Louvise, 57, preso nesta quinta-feira. Louvise foi encontrado em sua casa, em Nova Iguaçu (Baixada Fluminense). Ele disse que trabalhava na mesma empresa que Wellington e que vendeu a arma em setembro de 2010, pois precisava de dinheiro para consertar um carro. Ele tinha o revólver desde 1978.Segundo Louvise, que falou à imprensa após ser detido, Wellington disse a ele que se mudaria para Sepetiba e que precisaria de uma arma para sua segurança. "Se eu pudesse adivinhar o que iria acontecer não tinha vendido [o revólver]", afirmou. "Ele quase não conversava com ninguém. Eu conversava com ele na portaria, e ele falou que precisava de uma arma. Eu precisava de dinheiro", disse Louvise, que tem um neto de 12 anos, idade de uma das vítimas do massacre em Realengo. "Se eu adivinhasse, eu mesmo entregava ele", afirmou. De acordo com ele, "foi uma tristeza imensa" receber a notícia sobre o crime. Louvise diz ter sido "aliciado" por Wellington durante dois meses para que vendesse a arma, mas não deu detalhes do que acontecia. Ainda conforme o tribunal, Louvise confessou à polícia a venda da arma, de munição e de carregadores ao atirador.

Edição EDIÇÃO 16967




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