BRASIL
Quinta-feira, 16 de Dezembro de 2010, 21h:03
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MORTE DE PREFEITO
Preso secretário suspeito de envolvimento
O mandado foi expedido pela Justiça como base em um processo por apropriação indébita em processos de desapropriação, que corria desde 1999 em Jandira-SP
ROBERTO ALMEIDA
Da Agência Estado - São Paulo
Habitação de Jandira (SP), Wanderlei Lemes Aquino, suspeito de envolvimento no assassinato do prefeito da cidade, Braz Paschoalin (PSDB), alvejado com tiros de grosso calibre por um grupo de pistoleiros. O crime ocorreu às 7h55 do dia 10. Aquino foi preso em seu próprio gabinete, quando chegava para trabalhar. O mandado foi expedido pela Justiça como base em um processo por apropriação indébita em processos de desapropriação, que corria desde 1999. Mesmo assim, ele assumiu o cargo em Jandira. Apesar de a prisão ter relação com o caso de 1999, a polícia também pretende ouvi-lo sobre o assassinato da semana passada. Aquino teria feito ameaças ao genro de Paschoalin e à atual prefeita, Anabel Sabatine (PSDB). Depois de prenderem o secretário, policiais fizeram uma devassa no gabinete. Eles coletaram computadores e papéis. Aquino teria destruído documentos. Após ser detido, o secretário passou a tarde no Setor de Homicídios e Proteção à Pessoa da Seccional de Carapicuíba, em Santana de Parnaíba. Em seguida, foi encaminhado ao Instituto Médico Legal de Osasco. Ele ainda seria ouvido pelo delegado Zacarias Tadro. Seu defensor, William Ruedas, tentava até o início da noite de ontem obter um habeas corpus. Para Ruedas, a prisão é "reflexo do clima de beligerância que domina Jandira". Ele nega que a prisão de Aquino tenha relação com o assassinato do prefeito. No dia do crime, a polícia prendeu quatro suspeitos, cujas identidades são mantidas em sigilo. Aquino teria relação com o grupo. DIÁLOGOS A polícia investiga um suposto esquema de corrupção e mensalinho na gestão de Paschoalin, com base em diálogos gravados em CD. As conversas foram gravadas em 1.º de julho de 2008 pelo vereador Zezinho do PT. O interlocutor do petista, vereador Waldemiro Moreira de Oliveira, o Mineiro, do PDT, revela como vendeu seu voto por R$ 200 mil para apoiar o prefeito e aprovar sua prestação de contas referentes ao mandato de 1996 a 2000. Mineiro foi morto em julho por desconhecidos. Paschoalin, que conseguiu que suas contas fossem aprovadas, negou o mensalinho em depoimento de 2009. Seu motorista, que o acompanhava quando foi alvejado, permanece internado no Hospital das Clínicas, na capital, em estado grave.