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BRASIL
Terça-feira, 20 de Abril de 2010, 20h:19

GOVERNO

Presidente exalta sua política externa

Naturalmente inconformado com as críticas internas à sua diplomacia, Lula disparou contra os que queriam que ele atacasse "a garganta" de Evo Morales

DENISE CHRISPIM MARIN e LEONENCIO NOSSA
Da Agência Estado – Brasília
Em seu último discurso, na condição de chefe de Estado, na formatura de novos diplomatas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva extrapolou o balanço de sua política externa para atingir o plano eleitoral. Entre bravatas sobre sua atuação em reuniões internacionais, Lula valeu-se do episódio dos sapatos descalçados pelo ex-chanceler tucano Celso Lafer ao ingressar nos Estados Unidos, em 2002, para atacar o PSDB e declarou que os brasileiros "foram induzidos" a se ver como "viralatas". Lula teve a cautela de não mencionar o nome do ex-chanceler nem o governo de Fernando Henrique Cardoso. "Ministro meu que tirar o sapato deixará de ser ministro", disse ele, no Itamaraty, ao comentar uma ordem que teria dado a seus colaboradores no início de seu governo. Ciente de que já iniciou uma fase de oito meses de despedidas da Presidência, Lula dispensou o discurso escrito e improvisou por 29 minutos em torno da tese de que, ao tornar-se um País "muito mais importante", o Brasil gerou "ciúmes" e "inimigos". Em paralelo, o País elevou sua autoestima, "colocou o pés onde antes não pisava" e passou a ter protagonismo. "A gente vai chegando num baile que tinha três caras bonitos, 50 mulheres. Depois, chegam mais 50 caras bonitos e as mulheres vão variando. O dado concreto é que o Brasil não é mais coadjuvante." Naturalmente inconformado com as críticas internas à sua diplomacia, Lula disparou contra os que queriam que ele atacasse "a garganta" de Evo Morales, quando o presidente boliviano nacionalizou as reservas de gás e mandou o Exército ocupar as plantas da Petrobrás no país, e que "esganasse" Fernando Lugo, quando o presidente do Paraguai exigiu a renegociação do Tratado de Itaipu. "O Brasil é a maior economia e tem de ser generoso, aquele que ajuda o avanço dos outros." Lula contou ter varado parte de uma noite em uma sala apertada, em dezembro passado, em Copenhagen, em discussões sobre o acordo final da Conferência das Nações Unidas sobre o Clima, COP 15. Quando percebeu que o debate se detinha a cada palavra, disse que não via uma situação como essa desde que era dirigente sindical e que o Brasil já tinha feito sua lição de casa. Levantou-se e foi embora. No dia seguinte, depois de um "samba do crioulo doido", o acordo foi fechado em uma reunião entre Brasil, China, Índia e África do Sul e o presidente dos EUA, Barack Obama. Lula reconheceu que o acordo final foi um fracasso e que a negociação terá de continuar em dezembro, na COP 16. Mas, valeu-se dessa ilustração para defender a união dos países emergentes. Em outro momento, contou uma reunião no Comitê Olímpico Internacional (COI), na véspera da escolha do Rio de Janeiro como sede dos jogos de 2016. Como o delegado da Itália apontava muitos defeitos ao Brasil, Lula afirmou ter dado "um berro". "Qualquer pessoa do COI pode votar contra o Brasil. Mas você, não porque é lá que tem a maior comunidade italiana fora da Itália", relatou.

Edição EDIÇÃO 16962




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