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BRASIL
Quarta-feira, 29 de Julho de 2015, 20h:13

DECISÃO

Presidente da Gutierrez vira réu na Lava Jato

Foram denunciados pelos crimes de organização criminosa e corrupção

O juiz Sérgio Moro aceitou, ontem, a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra o presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo, o executivo Elton Negrão e os ex-funcionários da companhia Antônio Pedro Campelo de Souza, Flávio Gomes Machado Filho e Paulo Roberto Dalmazzo. Eles haviam sido denunciados na quinta-feira pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. No despacho em que aceita a denúncia, Moro cita depoimentos prestados pelo operador Mario Goes, que estava negociando um acordo de delação premiada com a Justiça. Goes afirmou que utilizou duas empresas para transferir dinheiro da Andrade Gutierrez para o ex-gerente de Serviços da Petrobras Pedro Barusco. O juiz afirma que a Andrade Gutierrez teria pago propina a dirigentes da Petrobrás em dez contratos assinados com a estatal diretamente ou por meio de consórcios. Diz o juiz que “os recursos obtidos através desses contratos, que têm sua origem em crimes de cartel e ajuste fraudulento de licitação, foram utilizados, após a sua submissão a condutas de ocultação e dissimulação, para pagamento das propinas.” RÉUS Além de Otávio e os quatro executivos ligados à empreiteira, também viraram réus cinco pessoas acusadas de fazer a propina da construtora chegar até os funcionários da Petrobras: o doleiro Alberto Youssef e os operadores Fernando Soares, Armando Furlan Júnior, Lucélio Goes e Mario Goes. Também estão sendo formalmente processados três ex-dirigentes da Petrobras: Paulo Roberto Costa, Pedro Barusco Filho; e Renato de Souza Duque. Nesta quarta-feira, Duque, ex-diretor de Serviços da estatal, foi denunciado com outras quatro pessoas pelo crime de lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva. Essa denúncia está relacionada à 14ª fase da Operação Lava-Jato, deflagrada em junho. Na segunda-feira, o juiz Sérgio Moro aceitou a denúncia contra Marcelo Odebrecth e outras 12 pessoas, incluindo executivos e ex-executivos da empresa, intermediários de pagamentos, o doleiro Alberto Youssef, e Paulo Roberto Costa, Renato Duque e Pedro Barusco. Segundo a Andrade Gutierrez, os advogados dos executivos e ex-executivos da empresa informam que “as respectivas defesas serão feitas nos autos da ação penal, fórum adequado para tratar o assunto. E que não discutirão o tema pela mídia". A acusação contra a Andrade Gutierrez leva em conta depoimentos de delatores e provas obtidas por meio de acordos de colaborações internacionais. Um dos argumentos apontados pelo juiz Moro apareceu em depoimento prestado ontem pelo operador Mário Goes, que assinou acordo de delação premiada. Goes disse que recebeu R$ 4,9 milhões da Andrade Gutierrez, que foram depositadas em sua empresa Rio Marine Empreendimentos Marítimos entre 2007 e 2009. Desse total, segundo o que ele contou ao MPF, ficou com R$ 1,5 milhão e repassou R$ 3,4 milhões ao ex-diretor da Petrobras Pedro Barusco.

Edição EDIÇÃO 16965




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