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BRASIL
Terça-feira, 15 de Julho de 2014, 20h:23

ANDRÉ VARGAS

Prefeito petista depõe no Conselho

MARIANA HAUBERT
Da Folhapress – Brasília
O prefeito de Apucarana, Paraná, Carlos Alberto Gebrin Preto (PT), conhecido como Beto Preto, prestou depoimento ontem como testemunha de defesa no processo contra o deputado André Vargas (sem partido-PR) no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados. Em pouco mais de meia hora, ele afirmou ter conversado com o parlamentar sobre o empréstimo de um avião para uma viagem ao Nordeste, mas negou que tenha ajudado Vargas a encontrar a aeronave. Vargas responde a um processo por quebra de decoro parlamentar no colegiado devido ao seu envolvimento com o doleiro Alberto Youssef, acusado de um esquema bilionário de lavagem de dinheiro. Preto afirmou conhecer Youssef de nome porque ele é dono do hotel Blue Tree em Londrina e disse que nunca o conheceu pessoalmente e só soube da sua atividade como doleiro depois que o caso foi publicado pela imprensa. Segundo Preto, Vargas e ele se encontraram no Natal de 2013 para discutir questões ligadas ao município e para assinar uma ordem de serviço de pavimentação asfáltica na cidade. Nesta ocasião, o deputado relatou que iria viajar com a família no início de janeiro para João Pessoa (PB) mas estava com dificuldades de encontrar passagens aéreas. "Ele esteve comigo no Natal e sabia das suas dificuldades em conseguir passagem. Até tentei verificar se alguém na região, algum empresário, um agropecuarista que viesse a ter uma aeronave poderia facilitar para que ele pudesse pagar o combustível para o deslocamento. Depois ele falou que não precisaria mais porque já tinha conseguido o favor com outra pessoa e que ele iria pagar o combustível", afirmou o prefeito. Preto disse que não chegou a fazer os contatos porque o fim do ano é uma época movimentada na prefeitura e ele acabou sem tempo para ajudar o colega. Logo depois, Vargas relatou a ele que já havia conseguido a aeronave emprestada de um empresário. Em março, a Folha de S.Paulo revelou que Vargas viajou em um jatinho emprestado por Youssef para passar férias em João Pessoa, Paraíba, com sua família. Em resposta ao jornal, o deputado afirmou na ocasião conhecer o doleiro há mais de 20 anos e disse ter pedido o avião porque voos comerciais estavam muito caros no período, mas alegou ter pago o combustível do jato Learjet 45. No entanto, no dia seguinte à publicação, ele mudou sua versão e disse que Youssef havia custeado as despesas com o voo e afirmou só ter aceitado embarcar porque imaginou que se tratava de uma "carona". Segundo ele, quando soube que era um frete exclusivo, pediu à sua secretária para reembolsar Youssef das despesas de combustível, estimadas por ele em R$ 20 mil. "Entretanto, a proposta de reembolso foi negada", afirmou sua assessoria em nota na época, acrescentando que o deputado teria sido informado dessa recusa no dia em que o caso foi revelado.

Edição EDIÇÃO 16962




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