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BRASIL
Sexta-feira, 28 de Janeiro de 2011, 19h:17

EGITO

Preço do petróleo dispara com crise

O preço do petróleo no mercado americano disparou ontem devido ao aumento da tensão no Egito, onde uma onda de protestos contra o ditador Hosni Mubarak entrou em seu quarto e mais violento dia. Na Nymex (Bolsa de Mercadorias de Nova York, na sigla em inglês), o preço petróleo bruto tipo WTI para entrega em março fechou com alta de 4,2%, para 89,23, chegando no meio da sessão a custar US$ 89,73. Já em Londres, o barril de Brent para entrega no mesmo mês quase passou a marca dos US$ 100 ao fechar em US$ 99,49, com alta de 2,16%. Os preços começaram a subir mais rapidamente após o governo dos Estados Unidos terem expressado preocupação com a violência no Egito. O Departamento de Estado pediu aos americanos que não façam viagens ao país africano a não ser que seja essencial. Além disso, vários voos para o país foram cancelados. Ao menos cinco manifestantes morreram e cerca de 870 ficaram feridos nos protestos, afirmaram fontes médicas ontem. Com as mortes, subiu para ao menos 12 o número de vítimas nos confrontos. Para conter os manifestantes, o governo colocou o Exército na rua, impôs toque de recolher e interrompeu o acesso a telefones celulares e à internet. O Egito é um dos países mais influentes no Oriente Médio, e o desenrolar dos protestos podem ter ressonância em outros países - entre eles grandes produtores de petróleo. Além disso, analistas apontam que o risco de confrontos na região levaram investidores a alocar recursos em ativos considerados mais seguros --entre eles o petróleo. O mercado de petróleo nos EUA ainda repercutiu positivamente os números do PIB (Produto Interno Bruto) americano. Apesar de o número principal ter sido menor que o esperado (a economia do país cresceu 2,9% no quarto trimestre, contra expectativa de alta de 3,5%), os dados de consumo das famílias vieram melhores. MORTOS As cenas mais caóticas foram registradas em Suez. A polícia abandonou áreas centrais da cidade, depois que os manifestantes superaram os cordões de segurança, roubaram armas de uma delegacia e queimaram o edifício, além de 20 veículos de patrulha estacionados perto do local. A polícia tentou dispersar os manifestantes, que lançaram pedras e gritavam pela queda de Mubarak. Eles quebraram janelas e tentaram virar um dos caminhões da polícia. Os agentes finalmente desistiram e recuaram, abandonando ao menos oito caminhões da polícia. Há relato ainda de ao menos mais um morto em Suez. Segundo testemunhas citadas pela agência Reuters, os egípcios carregavam o corpo de um manifestante, identificado como o motorista Hamada Labib, 30. Segundo seu irmão, ele foi morto por um disparo das forças de segurança. Labib seria a quarta vítima dos protestos somente nesta sexta-feira. Mais cedo, a agência Efe disse que três civis que participavam de um protesto perto do Museu do Egito, próximo à praça Tahrir, no Cairo, epicentro das manifestações políticas dos últimos dias, morreram. As vítimas teriam recebido tiros de balas de borracha a curta distância. Também no Cairo, mais de 300 pessoas foram presas e 120 ficaram feridas, segundo disseram fontes dos serviços de segurança citadas pela agência de notícias Efe. As fontes relataram que os protestos chegaram até a bairros residenciais do Cairo, incluindo o de Roxy, próximo ao condomínio residencial onde vive o presidente egípcio, Hosni Mubarak, no poder desde 1981.

Edição EDIÇÃO 16961




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