BRASIL
Segunda-feira, 15 de Março de 2010, 20h:13
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IRÃ
Postura de Lula desagrada políticos
DENISE CHRISPIM MARIN
Da Agência Estado Jerusalém
A oposição e a situação em Israel uniram-se ontem, no Parlamento israelense, em uma crítica velada à aproximação do Brasil ao Irã e à resistência do governo brasileiro em aderir às sanções do Conselho de Segurança das Nações Unidas contra Teerã. A coesão das diferentes frentes políticas israelenses deu-se durante a sessão especial do Knesset (Congresso de Israel) em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em clara referência ao Brasil, o presidente do Knesset, Reuven Rivlin, advertiu que "os países devem acordar da sonolência e enfrentar as bases satânicas desse regime dos aiatolás". "Peço a você: una-se aos países que já reconheceram esse perigo e apoie as sanções", afirmou Rivlin, dirigindo-se a Lula. "Ser contra as sanções pode ser visto como um sinal de fraqueza diante de líderes como esses, que não têm freios. A História mostra, Deus nos livre, o que pode acontecer se não tomarmos medidas contra essas ameaças (iranianas)." O apelo foi reforçado a Lula pelo próprio primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que insistiu para que o governo brasileiro adira a uma "frente moral" para evitar a ameaça do armamentismo iraniano. "Peço e espero que o Brasil apoie a frente internacional que está se cristalizando contra o armamentismo do Irã", afirmou. "Eles têm valores diferentes dos nossos e usam da crueldade. Eles adoram a morte, e vocês (brasileiros) adoram a vida", completou. A líder do bloco de oposição no Knesset, Tzipi Livni, defendeu o isolamento do Irã, por meio da aplicação de sanções, e sua expulsão das Nações Unidas, uma vez que Teerã prega a eliminação do Estado de Israel. Livni, que foi chanceler de Israel entre 2006 e 2009, afirmou que o Irã se aproveita da aproximação com a América Latina para driblar o isolamento. "O Brasil não pode dar legitimidade ao Irã", afirmou. "O Irã testa os limites do mundo livre. É preciso uma decisão energética e corajosa agora." Em seu discurso, Lula não chegou a mencionar a palavra Irã. Preferiu acentuar que a América Latina firmou um tratado que tornou a região livre de armas nucleares e que o Brasil conta com proibição constitucional à produção e ao uso de armamento atômico. "Gostaríamos que o exemplo de nosso continente pudesse ser seguido em outras partes do mundo", afirmou.