BRASIL
Quinta-feira, 25 de Novembro de 2010, 19h:57
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VIOLÊNCIA CARIOCA
Polícia invade morro com blindados
Depois de 40 horas de intenso tiroteio e com blindados da Marinha, PM do Rio de Janeiro expulsou os traficantes da Vila Cruzeiro
MÁRCIA VIEIRA, PEDRO DANTAS, GABRIELA MOREIRA, BRUNO BOGHOSSIAN, MARCELO AULER, TALITA FIGUEIREDO, R
Da Agência Estado Rio de Janeiro, RJ
Depois de quase 40 horas de intenso tiroteio, a polícia do Rio de Janeiro anunciou ontem que tomou a Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha, quartel-general do Comando Vermelho (CV). Mais de cem bandidos, fortemente armados, fugiram para o Complexo do Alemão, controlado pela mesma facção. Em grupos, alguns a pé, outros em motos e carros, eles atravessaram a Serra da Misericórdia, uma região de mata. Depois, já nas vielas do Alemão, colocaram fogo em pneus espalhados nas ruas provocando nuvens de fumaça preta. Na maior ação do quinto dia de conflito entre traficantes e policiais na capital carioca, a operação na Vila Cruzeiro mobilizou 430 homens entre policiais militares, civis e fuzileiros navais, que ajudaram a operar as viaturas blindadas da Marinha, equipadas com metralhadoras ponto 50. Foram elas que ajudaram a polícia do Rio a entrar na comunidade e ultrapassar as barricadas montadas por traficantes. Policiais que entraram na favela afirmaram que o cenário é de destruição. Há carros queimados, caminhões e motos abandonados e sangue pelo chão. O Bope permaneceu na favela. A segurança do entorno ficou a cargo do Batalhão de Polícia de Choque. A Polícia Civil se retirou, mas voltará nesta sexta-feira (26) para fazer buscas. A tomada da Vila Cruzeiro era um ponto fundamental para a política de segurança do secretário José Mariano Beltrame. Foi lá que se concentraram os traficantes expulsos dos territórios onde foram instaladas 11 das 12 Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). O Estado montou uma operação de guerra no Hospital Estadual Getúlio Vargas para atender aos feridos. Todas as cirurgias eletivas foram canceladas. Pacientes internados foram transferidos para outros hospitais. Quem procurava o hospital para atendimento, mesmo na emergência, era recusado para que os médicos pudessem se dedicar apenas às vítimas da Vila Cruzeiro. Só nesta quinta-feira (25), oito pessoas chegaram feridas ao hospital. Nos dois dias de conflito, já são 29 feridos e quatro mortos. Até o final da tarde, a polícia não divulgou o número de pessoas mortas na operação na Vila Cruzeiro. O subchefe operacional da Polícia Civil, Rodrigo Oliveira, disse apenas que "havia um rastro de sangue" na comunidade. Moradores, assustados, fugiram da favela. Os que ficaram exibiam panos brancos nas janelas pedindo paz. Quinze mil crianças e adolescentes ficaram sem aulas nas escolas. O comércio fechou a porta durante todo o dia. Na outra grande operação da polícia nesta quinta-feira (25), na favela do Jacarezinho, na zona norte, sete pessoas morreram. Cerca de cem homens participaram da ação, e houve intensa troca de tiros. Não há informações oficiais se todos os mortos eram traficantes. Para evitar que os bandidos do Jacarezinho se refugiassem na Rocinha ou no Vidigal, na zona sul, a polícia reforçou a segurança no entorno das duas favelas Apesar das operações policiais terem acontecido na zona norte da cidade, o clima de tensão e medo se espalhou pelo Rio. Trinta veículos foram incendiados só ontem. Um falso alarme de bomba esvaziou os 42 andares do prédio sede do Banco do Brasil, no centro. Os funcionários da mesa de operação chegaram a ser deslocados outro prédio do banco, para não interromper a atuação de mercado. A sede do BC, na Avenida Senador Dantas, próximo à Cinelândia e ao lado do quartel-general da Polícia Militar (PM), foi totalmente evacuado, enquanto agentes do Esquadrão Antibombas vasculhavam os andares. Nada foi encontrado.