O Advogado de Dantas fez também duras críticas às autoridades governamentais, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
A Polícia Federal indiciou ontem o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, e mais nove pessoas investigadas na Operação Satiagraha, que apurou crimes financeiros. Segundo o advogado Nélio Machado, que defende o banqueiro, eles foram indiciados por gestão fraudulenta e formação de quadrilha. Dantas e outros noves diretores do grupo Opportunity investigadas na Satiagraha foram à PF ontem para prestar depoimento. Eles ficaram na PF por cerca de seis horas mas, por orientação da defesa, ficaram calados e não responderam às perguntas feitas pelo delegado Protógenes Queiroz, que deve encerrar ontem o relatório da Satiagraha. Eles deixaram a PF às 19h55 sem dar entrevista. O advogado Nélio Machado encaminhou um documento a Protógenes no qual justifica o silêncio de seus clientes. No documento, o advogado diz que o inquérito está cheio de "vícios insuperáveis" e de "fatos estranhos, inusitados e irregulares que permeiam a investigação" desde fevereiro de 2007. Machado fez também duras críticas às autoridades governamentais, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Justiça, Tarso Genro. E classificou a PF, o Ministério Público Federal (SP) e o juiz do caso (Fausto Martin De Sanctis, titular da 6ª Vara Federal Criminal) de "triunvirato acusatório". Nas críticas ao presidente Lula e ao ministro Tarso Genro, o advogado de Dantas argumentou: "Freqüento o ambiente da PF há mais de 30 anos e não vejo ministro de Estado e presidente da República falando de investigação. MANIFESTO A Central Única dos Trabalhadores do Distrito Federal (CUT-DF) protocolou ontem na Secretaria-geral do Senado o pedido de impeachment do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes. AFASTAMENTO O Ministério Público Federal em São Paulo abriu procedimento administrativo ontem para apurar se as investigações da Operação Satiagraha, da Polícia Federal, sofreram obstrução. O procedimento foi instaurado a pedido dos procuradores da República República Anamara Osório Silva e Rodrigo de Grandis com base em representação feita pelo delegado Protógenes Queiroz, que deve encerrar hoje o relatório da operação. Segundo a Procuradoria, Protógenes diz na representação que foi afastado das investigações e reclamou, principalmente, da falta de recursos humanos e materiais para a condução da investigação.