NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Sábado, 20 de Junho de 2026

BRASIL
Segunda-feira, 04 de Maio de 2009, 20h:17

SENADO

PF e MP fora da apuração sobre corrupção

A Polícia Legislativa, que é subordinada aos próprios senadores, abriu apenas uma ocorrência e irá ouvir o casal que fez a denúncia. Ainda não foi marcada a data

EUGÊNIA LOPES
Da Agência Estado – Brasília
As denúncias feitas pelo casal João Carlos e Denise Zoghbi sobre a existência de um grande esquema de corrupção nos contratos do Senado deverão acabar em pizza. A operação abafa é comandada pela cúpula do Senado: por determinação do presidente José Sarney (PMDB-AP) a apuração das denúncias será feita pela Polícia Legislativa da Casa. Nem a Polícia Federal nem o Ministério Público farão parte das investigações. A Polícia Legislativa, que é subordinada aos próprios senadores, abriu apenas uma ocorrência e irá ouvir o casal. Ainda não foi marcada a data. Em entrevista à revista 'Época', o casal afirmou que o ex-diretor Agaciel Maia é sócio de todas as empresas terceirizadas que têm contrato com o Senado e insinuou o envolvimento dos senadores Romeu Tuma (PTB-SP) e Efraim Morais (DEM-PB) no esquema de corrupção. "As denúncias são muito vagas", disse ontem o diretor-geral do Senado, Alexandre Gazineo. "O trabalho da polícia legislativa é fundamental para ver se as denúncias estão baseadas em fatos ou se usaram a tática de diversificação das acusações", afirmou o primeiro-secretário do Senado, Heráclito Fortes (DEM-PI). "Essa prevenção contra a Polícia Legislativa não é justa. Ela é formada por funcionários concursados e nada ficará debaixo do tapete", argumentou Fortes. Há três semanas, a Polícia do Senado fez um cordão de isolamento e tentou impedir que Agaciel Maia fosse fotografado na barbearia da Casa. A Polícia Legislativa só abrirá inquérito se o casal Zoghbi apresentar provas das acusações de corrupção. Para se defender, João Carlos e Denise já teriam contratado Antonio Carlos Almeida Castro, conhecido como Kakay, famoso por advogar para políticos influentes. Kakay, como é conhecido, só teria aceitado o caso depois de receber a garantia de que o casal não fará acusações nem envolverá senadores no esquema de corrupção que seria comandado por Agaciel Maia. O diretor da Polícia Legislativa do Senado, Pedro Ricardo Araújo, reconheceu a limitação de seu trabalho. Ele explicou que senadores só poderão ser ouvidos como testemunhas. "Os senadores têm foro privilegiado e são investigados pelo Supremo Tribunal Federal", disse Araújo. A principal linha da investigação será apurar se o casal Zoghbi tem algum documento ou se a entrevista "não foi só um desabafo". "A abertura de um novo inquérito vai depender das provas que eles apresentarem", observou o diretor da Polícia Legislativa. A expectativa é que esta primeira fase da investigação leve 30 dias. Segundo a revista, João Carlos e Denise afirmaram que há corrupção nas contratações no Prodasen (Sistema de Processamento de Dados), na comunicação social, no transporte, na vigilância e no serviço de taquigrafia. Ex-diretor de Recursos Humanos do Senado, João Carlos Zoghbi é hoje alvo de duas sindicâncias da Casa. Na semana passada, ele pediu a aposentadoria. Sua mulher Denise Zoghbi é aposentada do Senado há cinco anos. Zoghbi poderá ter recusado o seu pedido de aposentadoria, caso seja condenado por má conduta. "Já a aposentadoria da Denise não pode ser revertida porque ela é aposentada há mais de cinco anos", explicou Heráclito Fortes.

Edição EDIÇÃO 16967




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL