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Cuiabá MT, Sexta-feira, 12 de Junho de 2026

BRASIL
Segunda-feira, 01 de Setembro de 2008, 20h:37

PUNIÇÃO BRANDA

Petista suspeito de liderar milícia recebe punição light

LUCIANA NUNES LEAL
Da Agência Estado – Rio
Acusado pelo Ministério Público Estadual (MPE) por formação de quadrilha e extorsão, o deputado estadual Jorge Babu (PT) teve punição branda determinada ontem pela executiva regional do partido: suspensão dos direitos partidários por dois meses. Hoje mesmo foi aberto processo na comissão de ética, que terá o mesmo prazo para apresentar o parecer final. Presente à reunião, Babu, suspeito de liderar uma milícia na zona oeste, comemorou o resultado. Questionado sobre a suspensão, disse estar "muito satisfeito". "O que eu não queria era ser expulso do PT, do partido pelo qual sou apaixonado. Queria tempo para me defender, eu quero ser investigado. Não sou miliciano", declarou o parlamentar. O presidente do PT fluminense, Alberto Cantalice, disse que a suspensão "é a punição máxima" prevista pelo estatuto, nesta altura do processo, quando ainda não há uma recomendação da comissão de ética. "O estatuto não prevê expulsão sumária", explicou. A suspensão dos direitos partidários significa que Babu não pode participar de reuniões do PT nem se apresentar como representante do partido. Segundo Cantalice, a bancada petista na Assembléia Legislativa vai decidir os limites da atuação do deputado como representante do PT no Legislativo. Há pouco efeito prático na punição. Babu já não participava das reuniões com os colegas deputados e não seguia a orientação da bancada nas votações. Na votação que decidiu pela soltura do deputado Álvaro Lins (PMDB), suspeito de corrupção, lavagem de dinheiro, facilitação de contrabando e formação de quadrilha, Babu votou a favor do peemedebista, contrariando a orientação da bancada. Lins foi solto, mas teve o mandato cassado e voltou para a cadeia. A reunião de ontem deixou claras as divergências internas do PT do Rio. Um dos integrantes da executiva, o terceiro vice-presidente Samuel Maia, acusou a direção estadual de não levar adiante processos contra petistas, inclusive o próprio Babu. Em 2004, depois de ser preso pela Polícia Federal em uma rinha de galo, Babu, que era vereador, foi expulso pelo PT municipal, mas recorreu ao PT Nacional, que devolveu o caso para a executiva regional. Até hoje, nada foi decidido. "Houve uma acomodação da direção partidária. Todas as questões polêmicas do partido não têm tido desdobramento. Falta direção política", protestou Samuel. O presidente regional negou ter sido omisso e considerou que a situação de Babu agora é muito mais difícil para ele do que no caso da rinha de galo, quando o deputado foi detido pela Polícia Federal por suspeita de organizar 'brigas' de galo.

Edição EDIÇÃO 16961




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