BRASIL
Quarta-feira, 11 de Agosto de 2010, 19h:57
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NOVO PROGRAMA
Petista exclui os temas polêmicos
VERA ROSA e JOÃO DOMINGOS
Da Agência Estado Brasília
Depois de duas versões e um vaivém de propostas, o programa de governo que Dilma Rousseff (PT) divulgará na próxima semana manteve o mote de um novo projeto nacional de desenvolvimento, mas a abordagem sobre o tamanho do Estado foi desbastada para evitar mais polêmica. Todo o esforço da campanha, agora, é para afastar rumores de que, se eleita, a candidata do PT à Presidência defenderia a reestatização de empresas privatizadas no governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). Na tentativa de impedir a ampliação desses comentários - atribuídos pelo PT ao comitê de José Serra (PSDB) -, o comando da campanha de Dilma não vai se alongar na discussão sobre Estado máximo e mínimo. "Vocês me desculpem, mas essa é uma discussão um pouquinho atrasada, não é?", costuma dizer a ex-chefe da Casa Civil. A ideia é destacar no programa de governo, logo na introdução, que a crise financeira mundial demonstrou a necessidade do fortalecimento dos bancos públicos e das políticas de crédito para o setor produtivo. O enfoque será na produção e no desenvolvimento, sem dar margem para controvérsias sobre qualquer viés estatizante. "Não existe essa questão de tamanho do Estado. O que existe é a eficiência do Estado e, nessa crise, o que nos salvou foi o que sobrou dele", afirmou o vice-presidente do PSB, Roberto Amaral, que integra a comissão encarregada de preparar a plataforma de Dilma. "Se tivéssemos desmontado a Petrobrás, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, estaríamos perdidos." O grupo responsável pelo programa de Dilma decidiu reforçar no texto o conceito de que a eventual gestão da petista representará um "governo de coalizão", formado por dez partidos. A referência constará do primeiro compromisso do documento, que fala em "expandir e fortalecer a democracia política, econômica e social".