As mais seguras e rentáveis biqueiras (pontos-de-venda de drogas) do Primeiro Comando da Capital (PCC) funcionam nas penitenciárias paulistas e não nas ruas, onde as blitze policiais são constantes e os prejuízos, quase diários. Documentos da contabilidade da facção criminosa apreendidos pelo Ministério Público Estadual (MPE) comprovam o lucro da organização. O grupo fatura no mínimo R$ 2 milhões com o tráfico dentro dos presídios. Segundo as documentações do MPE, apreendidas em 2006 e 2008 com traficantes apontados como integrantes da facção criminosa, o PCC detém o monopólio da venda de entorpecentes, principalmente cocaína, dentro do sistema prisional paulista. Os registros do ano retrasado revelam que a facção distribuiu, mensalmente, pelo menos 130 quilos da droga em 36 das 144 unidades prisionais do Estado. Já a Polícia Civil estima que o PCC passou a comercializar 200 quilos de cocaína por mês nos presídios paulistas, a partir de 2003, quando o tráfico começou a ser o principal "negócio" da organização. Conforme cálculos do Departamento Estadual de Narcóticos (Denarc), 1 quilo da droga custa R$ 10 mil no varejo. Outra documentação apreendida este ano com integrantes do PCC em presídios paulistas aponta uma margem de lucro ainda maior: R$ 2,2 milhões/mês. De acordo com a contabilidade da facção, em apenas um dia, 7 de julho, o grupo movimentou R$ 73.642,00 com o tráfico de drogas em 15 presídios do interior, a maioria no oeste do Estado e na região de Campinas. O promotor de Justiça José Reinaldo Carneiro, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), vai além: diz que não dá para calcular a movimentação de drogas dentro das cadeias.