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Terça-feira, 30 de Novembro de 2010, 21h:22

NOVA ROTA

PC encontra túnel no Complexo do Alemão

A descoberta fortalece a tese de que os traficantes usaram a rede de galerias de águas pluviais construídas através do PAC para furar o cerco das forças de segurança

JOSÉ MARIA TOMAZELA
Da Agência Estado - Rio
A Polícia Civil localizou ontem uma nova rota subterrânea usada pelos traficantes para escapar do cerco às favelas do Complexo do Alemão, no Rio. Os criminosos entraram na rede de galerias por uma caixa coletora na rampa do Largo do Coqueiro, atrás da Centro Educacional Jornalista Tim Lopes, e saíram no meio da Rua Arapá, que dá acesso ao Morro do Adeus. Nesse ponto, a galeria tem dois metros de largura por dois de altura. De acordo com o agente Marcelo Darze, moradores contaram que pelo menos 50 pessoas usaram a galeria para escapar do cerco, na noite de sábado. Muitos escaparam portando armas. Com o objetivo de coletar mais informações sobre os criminosos, a Polícia Militar (PM) passará a circular com carros de som no Complexo do Alemão, pedindo que os moradores denunciem rotas de fuga e esconderijos de armas e drogas. Em mensagens gravadas e panfletos, a população será convocada a "fazer parte das tropas de elite da paz" - o que representa uma estratégia de conquista psicológica dos civis, semelhante à que foi adotada pelas tropas de paz que atuaram no Haiti. A descoberta das galerias fortalece a tese de que os traficantes usaram a rede de galerias de águas pluviais construídas através do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para furar o cerco das forças de segurança. Para ter acesso ao túnel, os bandidos cortaram o alambrado do Espaço de Desenvolvimento Infantil Dona Lindu, onde funciona uma creche. Marcas da passagem dos fugitivos ainda podem ser vistas no local. Os traficantes fizeram muitos disparos no horário em que se deu a fuga em massa, por volta das 22 horas de sábado, para desviar a atenção dos militares que cercavam a área. A galeria sai do conjunto de obras do PAC, passa sob a Estrada do Itararé e segue pela Rua do Arapá, onde a laje superior do canal tinha sido arrebentada. Ali, mesmo uma pessoa alta pode passar em pé. Policiais civis entraram na passagem subterrânea numa tentativa de encontrar armas, mas a busca foi suspensa porque havia muita água. A polícia foi autorizada a usar bombas de efeito moral para obrigar a saída de pessoas eventualmente escondidas nos fossos. A rede de galerias pluviais no Complexo do Alemão tem 15.404 metros, mas as dimensões variam. Os canais começam estreitos, junto às escadarias e vielas mais altas, e vão alargando à medida que a declividade aumenta. As galerias principais, projetadas para receber grandes volumes de água, têm 2 metros por 2 metros. Elas deságuam em redes primárias que seguem em direção aos rios e acabam chegando ao mar. Um dos canais principais percorre as ruas Canitar e Joaquim de Queiroz. O trecho da rede que chega até o Engenho da Rainha também teria sido usado para fugas. NO LIXO A polícia apreendeu na manhã de ontem vários fuzis, radiocomunicadores e uma sacola com munição escondidos num caminhão de coleta de lixo da empresa municipal Comlurb. Um dos fuzis tinha a expressão "Trem Bala" gravada na coronha. O veículo tinha sido deixado por funcionários numa rua próxima do bairro Fazendinha. As armas estavam camufladas no lixo. O pente-fino realizado pelas forças de segurança em casas e ruas rendeu ainda a apreensão de uma garrafa pet recheada de balas de fuzil e de mais de uma dezena de bombas caseiras. Uma caixa com munição foi achada entre sacos plásticos com lixo. (Colaborou Bruno Boghossian)

Edição EDIÇÃO 16967




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