BRASIL
Quinta-feira, 26 de Junho de 2008, 21h:41
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DEFESA PRONTA
Paulinho apresenta defesa ao Conselho
O deputado paulista usou todo o prazo de cinco sessões ordinárias para protocolar o documento no Conselho de Ética
DENISE MADUEÑO
Da Agência Estado Brasília, DF
Vinte e três dias depois de ser notificado, o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical, entregou sua defesa escrita ao Conselho de Ética da Câmara. O deputado aproveitou o ritmo dos trabalhos da Casa e usou todo o prazo de cinco sessões ordinárias para protocolar o documento. As festas juninas no Nordeste e o fim do período de convenções para escolha dos candidatos a prefeito esvaziaram a Câmara e muitas sessões deixaram de ser realizadas neste mês. O presidente do conselho, deputado Sérgio Moraes (PTB-RS), marcou duas datas - 2 e 8 de julho - para o depoimento de Paulinho no colegiado. Caberá ao deputado escolher o dia que preferir. Moraes, no entanto, disse que Paulinho não é obrigado a comparecer para fazer sua defesa oral. "É um convite", disse Moraes. Na defesa escrita, Paulinho apresenta quatro testemunhas que deverão ser também convidadas pelo conselho para depor. Moraes não divulgou o conteúdo da defesa nem a relação dos nomes apresentados por Paulinho. O deputado não quis falar ontem. O documento assinado por Paulinho e pelo advogado Leônidas Ribeiro Scholz tem 274 páginas numeradas. O relator do processo, deputado Paulo Piau (PMDB-MG), afirmou que espera para o início da próxima semana a chegada ao conselho dos documentos que serão enviados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) com os dados sigilosos do inquérito aberto para apurar suposto envolvimento de Paulinho no esquema de desvio de dinheiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), descoberto pela Polícia Federal na Operação Santa Tereza. "O relatório da PF é o documento-chave. Foi ali que surgiu o caso e a denúncia", afirmou Piau. A demora na entrega da defesa escrita favorece o deputado. No dia 18 de julho a Câmara entra em recesso e, a partir de agosto e até final de outubro, estará esvaziada por causa do período eleitoral, o que poderá atrasar ainda mais a conclusão do processo no conselho e, em última instância, no plenário. O presidente do conselho disse que, apesar desse cenário, cumprirá seu trabalho. "Não trabalho com o calendário eleitoral e não posso trabalhar com o recesso. Tenho de fazer o meu trabalho", disse Moraes, afirmando que fará os convites que forem necessários para realizar os depoimentos. Ele acredita que até o final do ano haverá uma definição a respeito. O deputado, por outro lado, aposta na sua absolvição e garante não ter nada a temer.