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BRASIL
Terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009, 19h:56

BRASILEIRA

Paula Oliveira deixa hospital em Zurique

A advogada evitou a imprensa e saiu pelo subsolo do hospital. Segundo seu pai, Paulo Oliveira, ela teria pedido para não ser exposta aos jornalistas

JAMIL CHADE
Da Agência Estado – Zurique
A brasileira Paula Oliveira deixou o hospital de Zurique na tarde de ontem depois seis dias internada, e agora irá se recuperar em sua casa, na periferia da cidade suíça. A advogada evitou a imprensa e saiu pelo subsolo do hospital. Segundo seu pai, Paulo Oliveira, ela teria pedido para não ser exposta aos jornalistas. "Estou aliviado por ela estar saindo do hospital. É um problema a menos. Mas ela está chocada e ainda bastante traumatizada", afirmou Oliveira. Ele confirmou que ainda não há um plano para o retorno de Paula ao Brasil. Na segunda-feira, o Itamaraty informou que a advogada não poderá deixar a Suíça antes de obter a liberação da Justiça do país, mas ressaltou que continuará a dar "proteção" e "atenção" à cidadão brasileira. Paula está sujeita a sofrer um processo penal por fraude ao final das investigações policiais da suposta agressão que teria sofrido de um trio de neonazistas em uma estação de trem nos arredores de Zurique, no último dia 9. Em seu depoimento, a advogada alegou que estava grávida e que havia abortado em consequência dos golpes - versão contrariada por laudo médico. A repercussão do caso provocou desconforto nas relações entre o Brasil e a Suíça. Mas o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou que o governo brasileiro não tem razões para pedir desculpas ao governo suíço, uma vez que apenas pediu uma "investigação correta" do caso, e que tem mantido contato direto com a chancelaria suíça. ULTRASSOM Paula Oliveira, que diz ter sido atacada por neonazistas na semana passada, teria comunicado os amigos sobre sua suposta gravidez de gêmeos em um e-mail com uma imagem de ultrassonografia falsa. Segundo reportagem da revista Época, uma ex-colega de trabalho da brasileira afirmou que a mensagem foi enviada no dia 16 de janeiro para mais de 30 pessoas que trabalharam com ela na multinacional dinamarquesa Maersk com a reprodução de uma ultrassom que pode ser encontrada pelo Google. "Quando ela deu a notícia da gravidez, mandou anexada ao e-mail a imagem de um ultrassom. E nós achamos a mesma foto no Google Images", afirmou a ex-colega, que conhece Paula há três anos. Segundo a fonte, falou sob anonimato, a imagem tinha o nome "Twins 6 wks" (gêmeos 6 semanas) e que, numa busca com a mesma expressão no Google, a mesma fotografia era localizada no site about.com. A colega afirma ainda que Paula tinha um histórico de inventar coisas para chamar a atenção, e que chegou a afirmar que seu marido tinha morrido no acidente com o avião da TAM em Congonhas, que saiu da pista e matou 199 pessoas em julho de 2007. Paula disse ter sido atacada e, por isso, sofreu um aborto. Em seu corpo, os supostos agressores teriam talhado as letras SVP, em referência ao partido que defende posições duras contra a imigração. No fim de semana, o pai de Paula, Paulo Oliveira, afirmou que não tinha provas da gravidez da filha. "Em qualquer circunstância, minha filha é vítima. Ou ela é vítima de graves distúrbios psicológicos, ou vítima da agressão que desde o início ela sustenta e eu não tenho motivos ainda para duvidar", disse o pai. Na última sexta-feira, a polícia apresentou seu laudo médico, concluindo que Paula não estava grávida e alertando que privilegiaria a suspeita de que teria mutilado a si própria.

Edição EDIÇÃO 16962




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