BRASIL
Segunda-feira, 07 de Junho de 2010, 20h:55
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ESTADOS
Para partidos, militância fará diferença nas eleições
WLADIMIR D'ANDRADE
Da Agência Estado - São Paulo
Durante meses os militantes políticos escutaram, debateram e levaram os anseios e as necessidades dos brasileiros das mais diferentes regiões para as cúpulas dos partidos. Daqui a cerca de um mês, esse movimento estará no sentido contrário: as legendas colocarão seus exércitos nas ruas para divulgar o nome e as propostas dos candidatos aos eleitores para tentar convencê-los de que seus indicados são os mais bem preparados para administrar o País. E é esse movimento, segundo avaliação dos próprios políticos, que poderá fazer a diferença nas urnas. Os três partidos com candidatos mais bem posicionados nas pesquisas de intenção de voto - PT, PSDB e PV - são unânimes em apontar o papel fundamental de suas militâncias. "Para ganhar uma eleição é preciso que pessoas façam campanha. E o militante é quem defende as ideias do partido e que faz essas ideias chegarem aos simpatizantes", afirma André Régis, cientista político e responsável pelo programa do PSDB para a formação de lideranças tucanas, o Comunicar. A mesma opinião tem Marco Antonio Mroz, um dos coordenadores nacionais da campanha da pré-candidata Marina Silva, do PV. "É a única maneira de fazer a diferença. Seria impossível atingir os 12% das intenções de voto que temos hoje sem a nossa militância. Não temos estrutura para isso tudo, nem dinheiro e nem tempo de TV", afirma. Já o secretário Nacional de Comunicação do PT e deputado federal, André Vargas (PR), vai além. Para ele, esse exército de defensores é o que "dá vida" a uma legenda política. "Nossa estratégia central é basicamente fazer a ideia correr, fazê-las serem transmitidas. E esse é justamente o papel da militância", explica. Cada partido ao longo de sua história formou militâncias com características diferentes. Para o cientista político Rubens Figueiredo, o PT tem uma militância concentrada nos grandes centros urbanos, aguerrida e muito bem preparada para discutir as bandeiras do partido. Já a militância tucana, no seu entender, se concentra basicamente na classe média e adota um perfil mais light. O PV tem um quadro mais novo, do século 21, com um discurso sofisticado, avalia Figueiredo, complementando que às vezes esse perfil não condiz com as preocupações do eleitorado mais pobre. MÍDIA DIGITAL Apesar da força da militância numa campanha, o cientista político Rubens Figueiredo alerta que a vitória de um candidato nas urnas não está vinculada exclusivamente a esse trabalho de campo. Hoje as chamadas mídias de massa - rádio e televisão - atingem muito mais pessoas e têm papel fundamental num pleito, sobretudo no vasto território brasileiro. Além disso, o fenômeno e popularização da internet abriu espaço para um outro tipo de militância: a virtual. Segundo Figueiredo, para isso é necessário fazer a equação do custo/benefício. "O que me parece é que a mídia digital diminuiu o custo da militância. Hoje, é possível atingir muita gente com pouco custo pessoal, de tempo e dinheiro, por meio do marketing viral, dos sites e, principalmente, das redes sociais", diz. Os partidos estão atentos a essa nova ferramenta, tanto que André Vargas, do PT, afirma que a militância na internet fará o grande diferencial nesta eleição. Só na web, ele estima que poderá contar com cerca de 100 mil participantes. "Estamos cadastrando, buscando contatos e procurando os militantes nos diretórios para que eles possam trabalhar online, assim como já vêm militando offline, para o debate político e a interação com o eleitor", explica. "O mundo da internet revalorizou o papel do militante. E é preciso preparar essa pessoa para que ela saiba postar conteúdo, discutir propostas e interagir com o eleitor", afirma o tucano André Regis. "A internet multiplica as ações e não temos como segurar", complementa Marco Antonio Mroz, um dos coordenadores nacionais da campanha da pré-candidata Marina Silva, do PV. Na avaliação de Roberto Romano, contudo, apesar da força dessas novas ferramentas, é importante destacar que o militante tradicional tem um poder muito grande junto ao eleitorado, pois ele é capaz de, no boca-a-boca, traduzir o discurso nacional para a realidade local.