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BRASIL
Terça-feira, 23 de Junho de 2009, 20h:54

Para Lula, só reforma política salvar o Congresso

FELIPE WERNECK E ALEXANDRE RODRIGUES
Da Agência Estado – Rio
Depois de reclamar da "predileção pela desgraça" dos jornais na cobertura de denúncias envolvendo o Senado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu ontem uma reforma política e disse que "será muito difícil evitar que essas coisas aconteçam" se a estrutura partidária continuar como está. Ele comentava a crise causada pela divulgação de atos secretos usados para criar cargos e privilégios no Senado. Lula, no entanto, afirmou que há "coisas mais importantes para discutir" no País. "Não vamos fazer disso uma causa nacional", declarou. O presidente disse que o povo já viu muitos escândalos que depois não resultaram em nada. "O que eu acho é que temos a chance a cada quatro anos de mudar as coisas. Em 2010 tem eleição. É uma oportunidade extraordinária para o povo escolher as pessoas que ele entende que sejam as melhores para governar o País." Problema do Senado deve ser resolvido pelo Senado, disse Lula. "Para chegar ao Senado, é preciso ter mais de 35 anos. Se tem problema, só tem uma solução: é consertar o problema. Se não tiver problema, é mostrar que não tem. E foi essa a disposição do presidente José Sarney na conversa que tive com ele." Manchetes negativas - Antes da rápida entrevista, Lula fez apenas uma referência direta à crise no Senado nos 26 minutos de seu discurso. Ele afirmou que a imprensa tem "predileção pela desgraça" ao comentar manchetes sobre os atos secretos da Mesa Diretora. "É uma coisa absurda. Depois da crise econômica, a gente teve no mês de maio cento e poucos mil empregos positivos. Mas a manchete é o emprego no Senado. É uma perda de valor. Uma coisa que eu não consigo entender é a predileção pela desgraça", reclamou. Em outro momento do discurso, sem se referir diretamente à repercussão da crise no Senado, Lula disse que o povo "não aguenta mais que as coisas secundárias sejam transformadas em prioritárias e as prioritárias sejam esquecidas". Lula participou ontem, junto com o governador Sérgio Cabral Filho e o prefeito Eduardo Paes, ambos do PMDB, do lançamento de obras para a reforma da zona portuária do Rio. Estão previstos investimentos de R$ 374 milhões em infraestrutura (reurbanização da Praça Mauá, de ruas do entorno, do Morro da Conceição e do Píer Mauá, além da construção de uma garagem subterrânea), habitação (criação de 499 residências com a recuperação de imóveis antigos), cultura (implantação da Pinacoteca do Rio no edifício D. João VI) e entretenimento (construção do Museu do Amanhã nos armazéns 5 e 6 do Cais do Porto).

Edição EDIÇÃO 16962




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