BRASIL
Terça-feira, 07 de Junho de 2011, 21h:23
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Palocci saiu tarde e blindagem não funcionou
MARIANA JUNGMANN
Da Agência Brasil Brasília
A saída do ministro Antonio Palocci, da Casa Civil, foi tardia e fruto de uma blindagem malfeita. É a opinião de senadores de oposição, ouvidos pela Agência Brasil, que acreditam que o receio da instalação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigá-lo pudesse contaminar ainda mais o governo da presidenta Dilma Rousseff. Palocci caiu pelos seus próprios erros e por uma blindagem malfeita do procurador-geral da República. É possível perceber que houve uma sequência em que ele falou para a televisão primeiro, recebeu o parecer favorável do PGR e, em seguida, pediu demissão alegando ser inocente, afirmou o líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (DEM-GO). Na opinião do líder, a decisão de Palocci foi tardia e podia ter sido tomada na semana passada, antes que senadores da base aliada assinassem o pedido de CPI para investigá-lo. Ele avalia ainda que o requerimento para a investigação pode perder apoio, mas deverá ser mantido pelos oposicionistas na pauta do Congresso. Nós vamos insistir. Mas, alguns governistas assinaram avisando que se ele caísse retirariam o pedido. Então, pode ser que nós não tenhamos número, afirmou o senador. Para o senador Aécio Neves (PSDB-MG), o governo deve tirar ensinamentos da queda de Palocci sobre a relação com o Congresso Nacional. O primeiro ensinamento é que a oposição é tão importante na democracia quanto a situação, e deve ser respeitada, afirmou o senador. Pra ele, o caso ainda não está encerrado. Neves acredita que a Procuradoria-Geral do Distrito Federal irá apurar as denúncias de tráfico de influência e enriquecimento ilícito envolvendo o ex-ministro. Após essa apuração, o oposicionista aposta que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, irá abrir um procedimento contra Palocci. Do ponto de vista político, certamente há um encerramento. Mas do ponto de vista jurídico, não, afirmou Aécio Neves.