BRASIL
Quinta-feira, 25 de Setembro de 2008, 21h:31
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SUBMARINO NUCLEAR
País acelera programa de construção
ALEXANDRE RODRIGUES
Da Agência Estado Rio
Para acelerar o desenvolvimento do submarino nuclear brasileiro, a Marinha decidiu criar uma nova estrutura para tratar do programa. O comandante da Marinha, Júlio de Moura Neto, convocou o almirante de esquadra da reserva José Alberto Accioly Fragelli, ex-comandante do Estado Maior da Armada, para assumir a Coordenadoria Geral do Programa de Desenvolvimento do Submarino Nuclear, que será criada hoje no Rio. A medida é um dos primeiros passos da Força para retomar a construção de submarinos convencionais no Arsenal do Rio, de onde o último dos cinco submarinos da frota brasileira saiu em 2005, para alcançar o projeto de um casco capaz de receber o reator nuclear. Com a decisão do Brasil de fechar um acordo bilateral com a França para a transferência de tecnologia para a construção de quatro submarinos convencionais visando ao nuclear, a Marinha terá de preparar o Arsenal do Rio para retomar a construção desse tipo de embarcação no País. O último submarino construído no Rio, o Tikuna, foi incorporado à Armada em 2005. A decisão do Brasil pela França, anunciada no início da semana pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, era o que faltava para a Marinha voltar a planejar a construção de submarinos. Os oficiais temiam que a demora tornasse obsoleta a plataforma montada no Arsenal do Rio. O modelo a ser adotado deverá ser o Scorpene, classe de submarinos franceses vendida a países como Chile, Malásia e Índia. Os cinco submarinos convencionais da frota brasileira foram construídos a partir de uma plataforma alemã. O Tikuna é uma versão aperfeiçoada dos quatro anteriores, da classe Tupi. O primeiro deles foi construído na Alemanha, em 1989, num acordo de cooperação que transferiu tecnologia para a construção dos outros no Arsenal da Marinha no Rio. O Brasil esteve prestes a assinar um novo acordo com a Alemanha para a construção de novos submarinos, que tinha até previsão de financiamento, mas voltou atrás com a retomada do projeto nuclear este ano. Ao contrário da França, a Alemanha não tem submarinos nucleares. "Precisamos dos submarinos convencionais, que são mais adequados para o controle de águas mais perto da nossa costa. Além disso, ele vai dar o embasamento necessário para alcançarmos o submarino nuclear", declarou o almirante Álvaro Luiz Pinto, comandante de Operações Navais da Marinha.