BRASIL
Quinta-feira, 03 de Abril de 2008, 21h:16
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MORTE DE ISABELL
Pai e madrasta de Isabella se entregam
Peritos voltaram ao Edifício Residencial London, em busca de mais provas que ajudem a esclarecer a morte de Isabella Nardoni
MARCELO GODOY *
Da Agência Estado São Paulo
O casal Alexandre Carlos Nardoni, de 29 anos, e Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá, de 23 anos, foi preso ontem, às 16h40, após se apresentar à Justiça. Eles tiveram a prisão temporária de 30 dias decretada pelo 2º Tribunal do Júri, pois são suspeitos da morte da filha de Alexandre, Isabella Nardoni, de 5 anos. A garota morreu no sábado, após ser jogada do 6º andar do edifício London, na Vila Mazzei, zona norte de São Paulo - a queda ocorreu a partir da janela do quarto dos irmãos por parte de pai, que teve a tela de proteção cortada. Os advogados acertaram a entrega de seus clientes, por telefone, com o juiz Maurício Fossem. O casal entrou no Fórum de Santana, na avenida Engenheiro Caetano Álvares, pelo elevador dos fundos. Os dois foram com seus defensores até a sala do juiz, onde se formalizou a prisão. Todo um corredor do 3º andar foi bloqueado por policiais militares. Na saída, Anna Carolina e Nardoni se despediram com um beijo no elevador. Foram então algemados e conduzidos para o 9º Distrito Policial (Carandiru). Nardoni e Anna Carolina chegaram ao distrito às 18h, escoltados por seis viaturas da PM e um carro da Polícia Civil. Um grupo de pessoas na rua xingava o casal e cobrava Justiça. Duas horas depois de depor, foram encaminhados para exame de corpo de delito no Instituto Médico-Legal. "Posteriormente, ele vai para o 77º DP (Santa Cecília) e ela para o 89º DP (Portal do Morumbi)", afirmou o diretor-geral do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap), Aldo Galiano. "A prisão é uma cautela, porque há vários pontos divergentes nos depoimentos já tomados", completou Galiano. Os depoimentos terão seqüencia amanhã (4), segundo o delegado. Os investigadores ainda esperam o resultado de novos exames feitos pelo Instituto de Criminalística (IC) e pelo IML para confrontá-los com a versão do pai e da madrasta da vítima. Ao apresentar seus clientes diretamente à Justiça, os defensores querem mostrar que eles não pretendem fugir nem se transformar em um obstáculo para as investigações. Além disso, Nardoni e Anna Carolina têm bons antecedentes e residência fixa. Dessa forma, segundo os advogados, poderiam ficar em liberdade. Caso não se entregassem, haveria o risco de decretação de prisão preventiva - na qual os réus ficam presos até o julgamento. O casal alega inocência. Nardoni diz que chegou normalmente com os três filhos (dois são da atual união com Anna Carolina) ao edifício na noite de sábado. Como todos estavam dormindo, ele subiu primeiramente com Isabella e deixou-a no quarto. Depois, voltou para apanhar o restante da família. Quando retornou ao apartamento, achou um buraco na tela de proteção da janela. Só então viu que Isabella havia caído. Peritos do Instituto de Criminalística (IC) voltaram na noite de quarta-feira ao Edifício Residencial London, na Vila Mazzei, zona norte, em busca de mais provas que ajudem a esclarecer a morte de Isabella de Oliveira Nardoni.